Incêndio em prédio ocupado deixa homem cadeirante e bebê de 4 meses mortos em São Paulo

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Um incêndio atingiu um edifício ocupado no bairro da Vila Prudente, zona leste da capital paulista, na madrugada desta segunda-feira (12). As chamas começaram no terceiro andar e provocaram a morte de um homem cadeirante e de um bebê de quatro meses, encontrados já sem vida pelas equipas de resgate.

Acionamento dos bombeiros e combate ao fogo

O Corpo de Bombeiros de São Paulo foi acionado por volta das 5h. Dez viaturas, além de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), deslocaram-se rapidamente até o local. Quando as equipas chegaram, o fogo consumia materiais considerados de alta combustibilidade, o que exigiu esforços adicionais para controlar as chamas.

De acordo com o comandante da operação, os focos principais concentravam-se em espaços onde haviam sido erguidas divisórias internas. Essas estruturas, construídas após a ocupação do imóvel, favoreceram a propagação do incêndio. O trabalho de extinção durou cerca de duas horas, seguido do rescaldo para eliminar pequenos focos residuais e garantir a estabilidade da área.

Estrutura adaptada e presença de centenas de famílias

O edifício de três pavimentos era originalmente destinado a atividades comerciais. Após a ocupação, os vãos livres receberam paredes improvisadas, criando compartimentos residenciais. Segundo a corporação, aproximadamente 700 famílias viviam no local.

Moradores relataram que a circulação interna é estreita e que grande parte dos apartamentos improvisados não possui rotas de fuga adequadas. A falta de saídas de emergência teria dificultado a evacuação dos ocupantes, sobretudo de pessoas com mobilidade reduzida. O homem que morreu era cadeirante e não conseguiu deixar o apartamento a tempo.

Vítimas e esforços de salvamento

As equipas de resgate encontraram o bebê de quatro meses e o homem cadeirante já sem sinais vitais. Ambos estavam em um dos compartimentos do terceiro andar, onde o incêndio teve início. Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML) para identificação formal e exames periciais.

Apesar da dimensão do fogo, outras vítimas conseguiram abandonar o prédio com apoio de vizinhos. Não houve registo de feridos graves entre os demais moradores, mas várias pessoas receberam atendimento no local por inalação de fumo.

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Imagem: Internet

Investigação das causas

Peritos do Corpo de Bombeiros e da Polícia Técnico-Científica deram início à investigação para determinar a origem do incêndio. Entre as hipóteses preliminares estão problemas na instalação elétrica e o possível uso de fogareiros em áreas improvisadas. A autoridade policial abriu inquérito, e testemunhas passaram a ser ouvidas para reconstruir a sequência dos acontecimentos.

Condições de segurança e políticas de habitação

Especialistas em engenharia de incêndios alertam que edificações convertidas sem fiscalização costumam apresentar riscos elevados. A ausência de sistemas de alarme, hidrantes e extintores adequados aumenta a probabilidade de tragédias, principalmente em locais com alta densidade populacional.

A prefeitura de São Paulo informou que técnicos da Defesa Civil farão uma vistoria estrutural no prédio para avaliar danos e verificar se há condições mínimas de habitabilidade. Caso a estrutura seja considerada comprometida, os moradores poderão ser retirados temporariamente. A administração municipal também mencionou equipes de assistência social para acolher famílias que eventualmente fiquem desalojadas.

Histórico de incêndios em ocupações urbanas

Incêndios em edifícios ocupados não são raros na capital paulista. A combinação de instalações elétricas sobrecarregadas, subdivisões irregulares e alta concentração de moradores eleva o risco de ocorrência. Em maio de 2018, o desabamento de um prédio no Largo do Paissandu, após incêndio semelhante, deixou sete mortos e expôs a vulnerabilidade de milhares de pessoas que vivem em situação precária no centro e em bairros periféricos.

A tragédia desta segunda-feira reforça debates sobre políticas habitacionais, fiscalização de imóveis irregulares e prevenção de incêndios. Autoridades prometem agilizar a apuração das responsabilidades e adotar medidas para evitar novos episódios com consequências fatais.

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