Um incêndio atingiu o Instituto do Coração (Incor), localizado no bairro Jardim Paulista, zona oeste da capital paulista, por volta das 14h desta sexta-feira (30). O fogo começou no terceiro subsolo do edifício principal, área onde ficam geradores e equipamentos de manutenção, segundo informações do Corpo de Bombeiros.
Evacuação preventiva e assistência aos pacientes
Pacientes que dependiam de ventilação mecânica foram transferidos internamente para outras alas do hospital assim que a ocorrência foi identificada. A remoção foi realizada por funcionários do próprio Incor, que deslocaram macas e cilindros de oxigênio portáteis para garantir a continuidade do tratamento. A corporação informou que não houve registros de feridos nem de casos de intoxicação por fumaça.
A direção do hospital destacou que a evacuação foi limitada às áreas próximas ao foco das chamas, mantendo os demais andares em funcionamento restrito. O atendimento de emergência e as cirurgias programadas foram temporariamente suspensos até a conclusão dos procedimentos de segurança.
Atuação do Corpo de Bombeiros
O Corpo de Bombeiros de São Paulo enviou oito viaturas e 24 agentes para conter o incêndio. As equipes atuaram com linhas de mangueira pressurizada e equipamentos de ventilação forçada para dissipar a fumaça acumulada nas áreas subterrâneas. Às 16h, as chamas estavam controladas e a corporação passou a realizar o trabalho de rescaldo, a fim de identificar possíveis pontos de reignição.
De acordo com o capitão responsável pela operação, a presença de geradores e tanques de combustível no subsolo exigiu atenção adicional. Foram utilizados detectores de temperatura e câmeras térmicas para monitorar o aquecimento das estruturas metálicas após a extinção do fogo.
Causa provável do incidente
Relatos preliminares indicam que o incêndio teve início em um gerador de energia do hospital. A distribuidora Enel realizava um serviço programado na Rua Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, onde está localizado o Incor, e desligou temporariamente o fornecimento elétrico na região. Quando a energia foi restabelecida, um dos geradores emergenciais apresentou falha e entrou em combustão.
Inicialmente, havia suspeita de que o fogo poderia ter começado em uma das caldeiras do edifício. No entanto, essa possibilidade foi descartada após avaliação técnica. O próprio Corpo de Bombeiros confirmou que a origem mais provável foi, de fato, o equipamento de geração de energia instalado no terceiro subsolo.
Em nota encaminhada à imprensa, a Enel afirmou que realizou “um trabalho de emergência na rede de distribuição e precisou interromper temporariamente o fornecimento”. Segundo a empresa, o incidente ocorreu em um equipamento que pertence ao hospital, não em instalações da concessionária.
Imagem: Últimas Notícias
Impacto na rotina hospitalar
Após a retirada da fumaça e a liberação das áreas afetadas, a direção do Incor iniciou inspeções internas para avaliar danos estruturais e definir o cronograma de reabertura completa dos serviços. Equipas de engenharia verificam a integridade das salas técnicas, cabos de alimentação e sistemas de exaustão.
O hospital informou que pacientes estáveis permanecem internados nas alas não impactadas, enquanto casos mais críticos podem ser transferidos para unidades de referência caso seja necessário manter determinados setores fechados por tempo prolongado.
O Instituto do Coração é reconhecido como um dos maiores centros cardiológicos da América Latina e mantém, diariamente, procedimentos de alta complexidade. Autoridades da Secretaria de Estado da Saúde acompanham a situação e colocaram outros hospitais estaduais de prontidão para receber pacientes, caso surja demanda adicional.
Próximos passos
Peritos do Corpo de Bombeiros, da Polícia Científica e do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) devem inspecionar o local para determinar as causas exatas do incêndio e verificar se houve falhas no sistema de segurança contra fogo. O laudo preliminar deverá ser emitido em até 30 dias.
Enquanto isso, a administração do Incor se comprometeu a revisar os protocolos de manutenção dos geradores e a reforçar os planos de contingência para eventuais interrupções no fornecimento de energia. A concessionária Enel, por sua vez, informou que colaborará com as autoridades e disponibilizará registros operacionais do serviço executado na região.
Ao final da tarde, o trânsito na área em torno do hospital já havia sido liberado, e apenas a entrada de caminhões de manutenção continuava restrita. O Corpo de Bombeiros manteve uma viatura de prontidão até a madrugada para monitorar o prédio e garantir a segurança dos pacientes e profissionais de saúde.





