Rio de Janeiro, 28 de agosto de 2025 — A locutora Íris Lettieri Costa, reconhecida nacionalmente pelos avisos sonoros no Aeroporto Internacional Tom Jobim, morreu nesta quinta-feira aos 84 anos. Segundo familiares, ela sofreu um infarto fulminante em casa, na zona sul da capital fluminense, dois dias depois de receber alta de uma internação motivada por complicações da diabetes.
Carreira marcada pela inovação na comunicação
Íris Lettieri iniciou a trajetória profissional no rádio no fim da década de 1950, abrindo caminho para mulheres em um ambiente dominado por homens. Nos anos seguintes, tornou-se a primeira voz feminina a apresentar telejornais no Brasil, com passagens por emissoras como TV Continental, TV Tupi e Rede Manchete.
Na Manchete, integrou a equipe inaugural do Jornal da Manchete em 1983, programa que chegava a ocupar três horas da grade. Um ano depois, assumiu a apresentação do Manchete Panorama, atração voltada a cultura e entretenimento. Em 1985, quando a grade foi reformulada, migrou para o Programa de Domingo, consolidando a versatilidade diante das câmaras.
Paralelamente à televisão, gravou centenas de comerciais para rádio e TV, emprestando a voz a produtos e serviços de diferentes segmentos. O timbre aveludado — característica que se tornaria sua marca — também abriu espaço em projetos institucionais e campanhas públicas.
Quatro décadas guiando passageiros no Tom Jobim
O trabalho mais lembrado pelo público surgiu em 1970, quando a Infraero convidou a locutora para gravar os anúncios de partidas e chegadas no então Aeroporto do Galeão. Por cerca de 40 anos, os alertas bilíngues ecoaram pelos corredores do terminal, orientando milhões de viajantes e transformando a voz de Íris Lettieri em parte da experiência de embarque na cidade.
A concessionária RIOgaleão manifestou pesar em nota oficial. “Sua voz inesquecível marcou gerações nas rádios e nas mensagens do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. O trabalho de Íris Lettieri integra a memória afetiva de milhares de passageiros”, informou o comunicado.

Imagem: ultimas notícias 2.
Filha de José Avelino da Costa, locutor da antiga Rádio Cruzeiro do Sul, e de Josélia Lettieri, professora de piano e dicção, Íris cresceu num ambiente dedicado à comunicação e à música. A formação familiar contribuiu para a dicção precisa e para o domínio técnico que a acompanharam durante toda a vida profissional.
Repercussão e próximos passos
Amigos, colegas e admiradores destacaram nas redes sociais a importância da locutora para a democratização das vozes femininas no jornalismo eletrônico e lembraram o impacto emocional dos anúncios no aeroporto. A família ainda não divulgou informações sobre velório e sepultamento.
Com a morte de Íris Lettieri, encerra-se um capítulo singular da história da aviação comercial brasileira e dos meios de comunicação. O reconhecimento de sua contribuição permanece vivo nas gravações preservadas e na memória de quem ouviu, por décadas, seu timbre inconfundível anunciar a próxima chamada de embarque.