Uma equipa da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, desenvolveu um escudo eletromagnético que pode ser integrado a janelas de vidro sem comprometer a transparência. O projeto utiliza malha metálica em vez de materiais avançados de alto custo, oferecendo proteção contra interferências numa faixa ultralarga de frequências e superando 60 dB de atenuação de sinal.
Estrutura baseada em malha metálica
Sob a coordenação do professor Chang Jung, os investigadores examinaram várias geometrias de malha metálica para avaliar a sua eficácia na blindagem de pulsos eletromagnéticos. Foram fabricadas e testadas grades quadradas, hexagonais simétricas, hexagonais assimétricas, dipolos cruzados e laços quadrados duplos.
A configuração hexagonal assimétrica apresentou o desempenho mais consistente. Esse padrão foi escolhido para o protótipo de janela transparente, comprovando que é possível conciliar proteção elevada e visibilidade quase total. Diferentemente de soluções opacas ou baseadas em filmes condutores espessos, a malha mantém o ritmo de transmissão de luz necessário para aplicações arquitetónicas e industriais onde a estética e a iluminação natural são importantes.
Proteção passiva e de largo espectro
Segundo os testes de laboratório, o escudo alcança níveis de blindagem superiores a 60 dB em toda a faixa analisada, cobrindo desde frequências de rádio até bandas de micro-ondas. O desempenho satisfaz exigências civis e industriais em ambientes com equipamento sensível, como hospitais, centrais de dados e instalações de comunicação crítica.
O sistema funciona de forma totalmente passiva. Não há necessidade de alimentação elétrica, controladores ou componentes ativos, o que reduz custos operacionais e elimina pontos de falha. A durabilidade é comparável à de uma janela convencional, pois a malha pode ser inserida na própria lâmina de vidro ou aplicada como camada adicional, sem alterar processos de manutenção já estabelecidos.
Aplicações em edifícios e infraestrutura crítica
O aumento da densidade de dispositivos eletrónicos em lares, escritórios e indústrias multiplica fontes de interferência eletromagnética. Eventos naturais, como descargas atmosféricas, também podem provocar picos de energia que afetam equipamentos. O escudo proposto surge como resposta direta a essa tendência, oferecendo proteção localizada em pontos de entrada de sinal — portas e janelas — que, até agora, representavam fraquezas em gaiolas de Faraday convencionais.
Os investigadores destacam aplicações em aeroportos, centros de pesquisa, laboratórios médicos, salas limpas e veículos especializados. Qualquer espaço que abriga sensores de alta precisão ou redes de dados críticas pode incorporar a janela blindada durante a construção ou em retrofits.
Imagem: Tecnologia & Inovação
Vantagens face a soluções tradicionais
A escolha por malhas metálicas traz vantagens imediatas em custo e escalabilidade. Telas desse tipo já são produzidas em grande volume para múltiplos setores, simplificando a integração na cadeia de fornecimento da indústria vidreira. Além disso, a simplicidade estrutural diminui o risco de falhas associadas a materiais compósitos complexos ou filmes condutores delicados.
Outro ponto relevante é a manutenção da estética arquitetónica. Edifícios com grandes fachadas de vidro não precisam recorrer a painéis opacos ou revestimentos espessos que alterem a aparência. A malha hexagonal assimétrica conserva a transparência e, segundo os ensaios, causa degradação mínima na passagem de luz visível.
Próximos passos e industrialização
A equipa sul-coreana concentra-se agora em otimizar processos de fabrico em escala e em testar a resistência a condições ambientais adversas, como humidade, variações de temperatura e exposição a agentes químicos. Ensaios de longo prazo vão verificar se a condutividade da malha permanece estável e se o vidro mantém a integridade estrutural.
Se os resultados de durabilidade confirmarem os valores de laboratório, fabricantes de janelas e construtoras poderão adotar a solução sem mudanças drásticas na linha de produção. Assim, projetos de novos edifícios e renovações de infraestrutura crítica ganharão uma alternativa eficiente para mitigar riscos de interferência eletromagnética sem sacrifício estético ou funcional.






