As Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central mostram que a taxa média de juros cobrada pelos bancos permaneceu praticamente estável em julho. Somando todas as modalidades de crédito livre e direcionado, o juro médio ficou em 31,4% ao ano, recuo de 0,2 ponto percentual (p.p.) na comparação mensal, mas ainda 3,6 p.p. acima do nível observado há 12 meses.
Taxa Selic elevada sustenta patamar dos juros bancários
O comportamento das taxas acompanha a manutenção da Selic em 15% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária como instrumento para conter a inflação. Segundo o Banco Central, a expectativa é de que essa referência permaneça no mesmo nível ao menos até o fim de 2025, o que tende a segurar a oferta de crédito e provocar custo mais alto para empréstimos.
O spread bancário, diferença entre o custo de captação dos recursos e o que é cobrado dos clientes, também apresentou pouca variação em julho. O indicador ficou em 20,3 p.p., leve queda mensal de 0,2 p.p., mas alta de 1,7 p.p. em relação a julho de 2024.
Crédito livre: alívio para famílias, pressão sobre empresas
Nas novas contratações com pessoas físicas, a taxa média de juros livres recuou 0,7 p.p. no mês, para 57,7% ao ano, embora ainda esteja 5,5 p.p. acima do registrado um ano antes. A redução foi puxada por duas modalidades: crédito pessoal não consignado (queda de 4 p.p.) e cartão de crédito parcelado (redução de 0,8 p.p.). Além disso, aumentou a participação do cartão à vista, operação que possui custo menor que outros tipos de financiamento.
Por outro lado, o rotativo do cartão de crédito — acionado quando o consumidor não paga o valor total da fatura — subiu 6,1 p.p. em julho e 14,4 p.p. no acumulado de 12 meses, atingindo 446,6% ao ano. O índice é o mais alto entre todas as linhas de crédito acompanhadas pelo Banco Central.
Para as empresas, o cenário é distinto. A taxa média do crédito livre chegou a 25% ao ano, alta de 0,7 p.p. no mês e de 3,9 p.p. em um ano, refletindo maior custo de captação e percepção de risco.
Crédito direcionado mantém juros mais baixos
Nas operações submetidas a regras específicas do governo, os juros permanecem menores. Em julho, pessoas físicas pagaram em média 11,2% ao ano, incremento de 0,1 p.p. na margem e de 1 p.p. em 12 meses. Para empresas, a taxa ficou em 13,6% ao ano, com recuo de 0,5 p.p. no mês, mas avanço de 2,2 p.p. em relação a julho de 2024.
Concessões somam R$ 644,1 bilhões e estoque atinge R$ 6,7 trilhões
O volume concedido pelos bancos totalizou R$ 644,1 bilhões em julho. Ajustadas sazonalmente, as concessões diminuíram 0,3% em relação a junho, resultado da queda de 2% nas operações com empresas e do aumento de 2,5% junto às famílias. Em 12 meses, o crescimento nominal foi de 12,3%, impulsionado principalmente pelo avanço de 15,9% no crédito às pessoas físicas.

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Já o estoque de empréstimos no Sistema Financeiro Nacional alcançou R$ 6,715 trilhões, expansão mensal de 0,4%. O saldo destinado às famílias subiu 0,6%, para R$ 4,173 trilhões, enquanto o das empresas recuou 0,1%, somando R$ 2,542 trilhões.
Considerando todas as fontes — bancos, mercado de capitais e dívida externa —, o crédito ampliado ao setor não financeiro chegou a R$ 19,527 trilhões, aumento de 0,9% em julho e de 10,5% em 12 meses. O crescimento mensal refletiu mais emissões de títulos públicos (+0,7%), expansão dos empréstimos bancários (+0,4%) e alta de 2,3% nos financiamentos externos, influenciada pela desvalorização de 2,66% do real no período.
Inadimplência e endividamento continuam estáveis
O percentual de dívidas com atraso superior a 90 dias permaneceu em 3,8% do total. Entre as famílias, a inadimplência ficou em 4,5%, e entre as empresas, em 2,5%.
Em junho, indicador mais recente disponível, o endividamento das famílias correspondia a 48,7% da renda acumulada em 12 meses, queda de 0,2 p.p. em relação a maio e alta de 1 p.p. em um ano. Desconsiderando financiamentos imobiliários, a relação recuou para 30,5% da renda.
O comprometimento da renda — parcela mensal destinada ao pagamento de dívidas — foi de 27,6% em junho, ligeiro recuo de 0,1 p.p. frente ao mês anterior e avanço de 1,3 p.p. em 12 meses.
Os números indicam que, apesar da estabilidade de curto prazo, o custo do crédito permanece em nível elevado, especialmente em linhas como o cartão de crédito rotativo, enquanto a Selic alta continua a influenciar todo o mercado financeiro.