LEGO lança Smart Bricks que ganham vida sem telas

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A LEGO apresentou esta semana, durante a CES 2026, o sistema Smart Play, que adiciona interatividade aos tradicionais blocos da marca sem recorrer a qualquer tipo de tela ou aplicação móvel. A nova linha combina peças equipadas com sensores, azulejos identificadores e minifiguras capazes de reagir aos movimentos do utilizador e aos elementos que as rodeiam.

Como funciona o sistema Smart Play

O conjunto base inclui três componentes principais: Smart Bricks, Smart Tags e Smart Minifigures. Os blocos e minifiguras trazem internamente um chip ASIC patenteado, menor do que um único pino LEGO, que integra alto-falante, acelerômetro e matriz de LEDs. Esse circuito reconhece a proximidade dos Smart Tags por meio de posicionamento magnético de curto alcance, sem necessidade de emparelhamento manual.

Cada Smart Tag é um azulejo liso, sem pinos, que contém um identificador digital exclusivo. Ao detectar o código de um determinado tag, o bloco ou a minifigura executa ações pré-programadas, como acender luzes ou reproduzir sons. Num hipotético helicóptero montado com as peças interativas, o Smart Brick poderia emitir barulho de hélice quando elevado, ajustando a intensidade do efeito de acordo com a inclinação e a velocidade registadas pelo acelerômetro.

Para coordenar vários elementos de forma simultânea, a LEGO criou o protocolo sem fios BrickNet, baseado em Bluetooth. A empresa afirma ter implementado encriptação reforçada e controlos de privacidade que impedem a captação ou alteração não autorizada dos sinais, reduzindo o risco de interferências externas nos brinquedos.

Sem telas e sem configuração

De acordo com a fabricante, uma das prioridades do Smart Play foi manter a experiência analógica característica da marca. Por esse motivo, não há aplicativo complementar, e todo o processo de reconhecimento ocorre automaticamente assim que as peças são retiradas da caixa. A ausência de telas — e, consequentemente, de requisitos de configuração — pretende simplificar o uso para crianças e evitar a necessidade de supervisão constante por parte dos pais.

Ainda assim, a LEGO prepara Smart Tags com finalidades diversas, incluindo versões humorísticas. Um dos exemplos citados no site oficial é um tag destinado a “animar” sanitas construídas com blocos, reforçando a proposta de estimular a criatividade e a brincadeira livre.

Primeiros conjuntos chegam em março

Os dois primeiros kits a incorporar a tecnologia serão lançados em 1.º de março, com pré-venda aberta a partir desta sexta-feira. Ambos têm temática Star Wars. O modelo Luke’s Red Five X-wing chegará ao mercado por US$ 69,99, enquanto o conjunto maior, Throne Room Duel and A-wing, custará US$ 159,99.

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Imagem: Gadgets e Tech

Nesses sets, personagens clássicos como Luke Skywalker e Princesa Leia utilizam Smart Bricks instalados nas minifiguras, permitindo que sabres de luz se acendam ou emitam sons de duelo ao se aproximarem de Smart Tags específicas. A interação também possibilita respostas visuais e sonoras ao simular batalhas aéreas ou confrontos no trono de Palpatine.

Detalhes técnicos dos Smart Bricks

A solução de hardware baseia-se num chip proprietário dimensionado para caber sob a superfície de um pino LEGO, sem alterar a compatibilidade com peças convencionais. O componente oferece:

  • Localização magnética de curto alcance para identificar Smart Tags adjacentes;
  • Conectividade via BrickNet, permitindo comunicação entre múltiplos Smart Bricks;
  • Alto-falante embutido para efeitos sonoros localizados;
  • Matriz de LEDs que pode assumir cores e padrões diversos;
  • Acelerômetro triaxial, que interpreta movimentos como subida, rotação ou queda.

Esses recursos tornam possível alinhar luz, som e movimento de maneira consistente com a forma como a criança manipula o modelo, elevando o realismo sem introduzir ecrãs ou baterias externas de grande porte.

Próximos passos da LEGO

A empresa não divulgou ainda quais serão os próximos temas a receber o Smart Play, mas indicou que novos tags e personagens devem chegar gradualmente para ampliar a gama de interações. A expectativa é que linhas populares, como City e Technic, recebam versões compatíveis ao longo do ano, aproveitando a mesma infraestrutura eletrónica apresentada agora.

Com o lançamento, a LEGO passa a competir num segmento dominado por brinquedos conectados, porém adota uma abordagem que dispensa dispositivos móveis. A estratégia aposta na união do “constrói e brinca” tradicional com elementos eletrónicos integrados, sem descaracterizar a experiência física que tornou o tijolo colorido um ícone mundial.

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