Colaboração com múltiplos modelos de linguagem
A Lenovo pretende integrar inteligência artificial generativa em toda a sua linha de produtos e, para isso, está a negociar acordos com vários fornecedores de grandes modelos de linguagem (LLMs) em diferentes regiões. O diretor financeiro, Winston Cheng, revelou a estratégia durante o Fórum Económico Mundial, em Davos, sublinhando que a empresa quer posicionar-se como líder global em IA sem desenvolver um modelo próprio.
Segundo o executivo, a abordagem passa por “orquestrar” tecnologias de parceiros como Humain, na Arábia Saudita, Mistral AI, na Europa, além de Alibaba e DeepSeek, na China. A decisão de recorrer a vários fornecedores, em vez de concentrar esforços num LLM interno, foi justificada pelo conjunto de regulamentações locais que afetam o uso de dados e algoritmos em diferentes mercados.
Com esta estratégia, a maior fabricante mundial de computadores pessoais planeia equipar computadores, smartphones e wearables com recursos de IA nativa. No início de janeiro, a empresa apresentou o Qira, um sistema que conecta dispositivos Lenovo a serviços de IA e que já contempla integração com parceiros externos de LLM.
Cheng frisou que a Lenovo é “a única companhia, além da Apple, com participação de mercado expressiva em PCs e dispositivos móveis”, mas opera em ecossistemas abertos – Windows e Android – ao contrário da rival, que controla hardware e software. Enquanto a Apple, até agora, coopera apenas com OpenAI e Google Gemini, a Lenovo procurará contratos simultâneos com vários fornecedores para ampliar a oferta de funcionalidades baseadas em IA.
Gestão de custos e cenário de mercado
O diretor financeiro, que ingressou na Lenovo em 2024 e assumiu o cargo atual em abril de 2025, também comentou o impacto do aumento dos preços de chips de memória. De acordo com o responsável, o encarecimento dos componentes já pressiona as margens e deverá ser repassado aos clientes, afetando futuros lançamentos de eletrónicos de consumo.
Além disso, Cheng alertou para uma “bolha” na avaliação de empresas de IA, tanto no mercado privado como no público. O executivo defendeu que investidores e analistas verifiquem atentamente os custos operacionais das operações de IA, não apenas os desembolsos de capital, antes de atribuir prémios elevados em bolsa ou em rondas de financiamento.
Imagem: Internet
Parceria com a Nvidia e expansão regional
Em janeiro, a Lenovo anunciou colaboração com a Nvidia para acelerar a implementação de centros de dados dedicados a IA. O projeto oferece uma infraestrutura híbrida, com soluções de arrefecimento líquido, desenhada para provedores de nuvem que desejam colocar instalações em operação num prazo reduzido. Segundo Cheng, as empresas concentrar-se-ão na expansão “global” dessa capacidade, priorizando manufatura local e avaliando lançamentos na Ásia e no Médio Oriente.
O acordo reforça a posição da Lenovo no segmento de servidores e serviços empresariais, complementando a aposta na integração de IA nos dispositivos de consumo. Para a companhia, a combinação de hardware, parcerias com grandes fornecedores de chips e a articulação com múltiplos LLMs cria um ecossistema que poderá atrair utilizadores corporativos e domésticos que buscam experiências de IA distribuídas entre PC, telemóvel e outros gadgets.
Próximos passos e metas
A multinacional não detalhou quando as novas funcionalidades chegarão ao mercado, mas indicou que futuros modelos de PCs, smartphones e wearables trarão a IA integrada de fábrica. O objetivo é oferecer assistentes contextuais, análise de dados em tempo real e outras tarefas generativas sem depender exclusivamente da nuvem.
Para sustentar a ambição, a Lenovo continuará a expandir a lista de parceiros de IA e a ajustar preços conforme a volatilidade dos componentes, mantendo-se atenta à evolução regulatória em cada região. Cheng destacou que a companhia aposta numa abordagem flexível, adaptando-se a regras locais e a diferentes necessidades de privacidade, para assegurar que as soluções de IA possam ser lançadas simultaneamente em vários mercados.
A empresa encerra, assim, a primeira metade de 2025 com uma estratégia centrada em duas frentes: alargar o portefólio de IA por meio de alianças globais e controlar custos num contexto de valorização elevada do setor. A Lenovo acredita que a combinação desses fatores a colocará em vantagem na corrida para levar inteligência artificial generativa a um público mais vasto.





