Um estudo conduzido na Universidade de Tohoku, no Japão, detalhou por que o acabamento superficial com lixamento pode comprometer a resistência à corrosão do aço inoxidável. A investigação, liderada pelo pesquisador Siqi Wang, demonstrou que o processo de retificação danifica inclusões de sulfeto de manganês (MnS) presentes no material, criando pontos vulneráveis que aceleram a formação de ferrugem em ambientes com cloretos, como a água do mar.
O que a pesquisa avaliou
A equipa trabalhou com o aço inoxidável Tipo 304, amplamente usado em indústrias química, alimentícia e médica pela aparência limpa e pela resistência à corrosão. As amostras foram submetidas a lixamento controlado e, em seguida, expostas a solução salina para simular condições agressivas. Observou-se que:
- O lixamento isolado não provocou corrosão imediata.
- Regiões corroídas coincidiam com áreas que continham inclusões de MnS.
- Quando a superfície foi lixada diretamente sobre essas inclusões, surgiram focos de corrosão pontual.
A conclusão é que os arranhões superficiais deixados pelo processo de acabamento não são, por si sós, suficientes para degradar a liga. O fator determinante é a alteração física que o lixamento causa nas inclusões de MnS embutidas no aço.
Como o lixamento afeta as inclusões de MnS
As análises microscópicas revelaram três mudanças principais depois da retificação:
- Deformação – as partículas de MnS perdem a geometria original, ficando alongadas ou amassadas.
- Fissuras – surgem microtrincas ao redor das inclusões, abrindo caminho para a penetração de cloretos.
- Recuo no material – parte das inclusões é empurrada para camadas mais profundas, ampliando a área de influência corrosiva.
Embora a camada passiva de cromo, responsável pela proteção natural do aço inoxidável, mantenha a composição química praticamente intacta, a sua espessura torna-se irregular após o lixamento. Essa desuniformidade, combinada com o dano mecânico às inclusões, cria condições ideais para a corrosão localizada.
Implicações para a indústria
Componentes fabricados em aço inoxidável recebem acabamento superficial para melhorar a estética, reduzir atrito e dificultar a aderência de contaminantes. No entanto, a pesquisa indica que, se o processo não for otimizado, pode encurtar a vida útil de equipamentos usados em plantas químicas, máquinas industriais, processamento de alimentos e dispositivos médicos.
Imagem: imagem ilustrativa
Ao apontar o papel central das inclusões de MnS e detalhar como o lixamento agrava o problema, o estudo abre caminho para:
- Adoção de parâmetros de retificação que minimizem a deformação dessas partículas.
- Desenvolvimento de ligas com menor quantidade de MnS ou com inclusões de composição diferente.
- Técnicas adicionais de tratamento de superfície, como polimento eletroquímico ou passivação reforçada, para restaurar a camada protetora após o lixamento.
Próximos passos da investigação
De acordo com o coautor Masashi Nishimoto, futuras pesquisas irão testar métodos de acabamento alternativos e avaliar a eficácia de processos de passivação em diferentes condições operacionais. O objetivo é aumentar a durabilidade de peças expostas a ambientes salinos ou clorados sem sacrificar as exigências estéticas e funcionais que motivam o polimento.
Com a identificação do mecanismo que liga o dano às inclusões de MnS à corrosão pontual, fabricantes têm agora dados concretos para ajustar linhas de produção e reduzir falhas prematuras em sistemas críticos.





