Quem observar o céu na noite desta quinta-feira, 28 de agosto, não verá o disco lunar. O satélite natural encontra-se em fase nova, posição em que fica completamente alinhado ao Sol e, por isso, torna-se invisível da superfície terrestre. Esta configuração inaugura um novo ciclo de aproximadamente 29,5 dias, intervalo conhecido como mês sinódico.
Fase atual: satélite entre a Terra e o Sol
Na Lua nova, a face iluminada volta-se para o Sol, enquanto o lado escuro permanece voltado para a Terra. A ausência de luz refletida cria a impressão de que o astro “desapareceu” do firmamento. O fenómeno é temporário: nos dias seguintes, a porção iluminada reaparece gradualmente, caracterizando a transição para a Lua crescente.
Calendário lunar de agosto de 2025
O ciclo presente contempla duas datas principais neste mês:
23 de agosto, 3h06 (horário de Brasília) — Lua nova
31 de agosto, 3h25 — Lua crescente
Até 31 de agosto, o satélite passará pela fase de quarto crescente, quando metade do disco fica iluminada. A fase cheia ocorrerá já em setembro, completando o padrão clássico de quatro etapas (nova, crescente, cheia e minguante) antes de iniciar novo mês sinódico.
Efeitos gravíticos: marés vivas e ecossistemas marinhos
Mesmo invisível, a Lua mantém influência direta sobre os oceanos. A combinação da gravidade lunar com a solar, típica da Lua nova e da Lua cheia, intensifica o deslocamento das massas de água, produzindo as chamadas marés vivas. As oscilações do nível do mar podem ser mais pronunciadas, fenómeno importante para a navegação, a pesca e a dinâmica de zonas costeiras.
Vários organismos sincronizam comportamentos a este período. Corais e moluscos marinhos utilizam a Lua nova para coordenar reprodução, libertando gametas em momentos de menor luminosidade. Tartarugas marinhas também aproveitam a escuridão acrescida para chegar às praias e desovar com menor exposição a predadores.
Características físicas e curiosidades do satélite
A Lua é o único satélite natural da Terra e possui cerca de um quarto do diâmetro do planeta. A distância média em relação à superfície terrestre é de 384 400 km, mas varia ao longo da órbita elíptica. No perigeu, o ponto mais próximo, a separação reduz-se a cerca de 363 000 km; no apogeu, pode ultrapassar 405 000 km.

Imagem: NewsUp Brasil
O satélite executa rotação síncrona, girando em torno do próprio eixo no mesmo ritmo em que dá a volta à Terra. Dessa forma, o hemisfério lunar visível permanece praticamente o mesmo. O lado oposto, chamado popularmente de “lado oculto”, também recebe luz solar, mas só é observado por sondas e missões espaciais.
A aparência da fase crescente varia de acordo com o hemisfério. No Sul, a região iluminada surge à esquerda do observador; no Norte, à direita. Essa diferença resulta da perspectiva geográfica, não de transformação na Lua em si.
Apesar de influência comprovada sobre as marés, estudos não identificam impacto fisiológico significativo da Lua nas pessoas. Investigações médicas e psicológicas não demonstram relação direta entre a fase lunar e alterações de humor, sono ou saúde humana.
Como identificar as próximas fases
Para acompanhar a evolução do ciclo, basta observar o céu limpo logo após o pôr-do-sol. A Lua crescente torna-se visível no horizonte oeste, com parte do disco iluminado. Quando a fase cheia se aproxima, o satélite nasce a leste no fim da tarde e mantém-se no céu durante toda a noite. Na Lua minguante, o brilho recua novamente, surgindo no final da madrugada.
Aplicações de observação astronómica e calendários lunares também oferecem horários exatos de cada fase, úteis para atividades que dependem da luminosidade noturna, como agricultura, pesca e fotografia.
O ciclo iniciado hoje conclui-se por volta de 21 de setembro, quando nova Lua nova abrirá outro mês sinódico. Até lá, o satélite passará por todo o espectro de iluminações que, há milénios, orienta marés, calendários agrícolas e tradições culturais pelo mundo.