O empresário Luciano Hang, de 63 anos, move uma ação por danos morais contra o ator Tuca Andrada, 61, em consequência de publicações feitas nas redes sociais depois do incêndio que atingiu uma réplica da Estátua da Liberdade em frente a uma unidade da Havan em Petrolina (PE). O processo foi protocolado na Justiça de Santa Catarina e busca indenização de até R$ 50 mil.
Fogo em símbolo da rede motivou publicações
O caso que originou a disputa judicial ocorreu no fim de setembro de 2025, quando um ato de vandalismo provocou chamas na estátua usada como marca visual da rede varejista. Imagens do incêndio circularam rapidamente nas redes, acompanhadas de debates sobre questões políticas envolvendo Hang, conhecido por manifestações públicas de apoio à direita brasileira.
No dia seguinte ao incidente, Tuca Andrada fez comentários na plataforma Threads. Entre as postagens citadas no processo está a frase: “Se essa moda pega, nosso periquitinho patriota terá prejuízo”. Em outra mensagem, o ator declarou: “Não sou a favor da barbárie, mas estou cagando que essa cafonice queime e também que o nazista morra”.
Os advogados de Hang afirmam que as publicações extrapolaram a crítica política e atingiram a honra do empresário. Para a defesa, o uso do termo “nazista” dirigido ao fundador da Havan configura injúria e difamação.
Argumentos apresentados por Hang e pela Havan
Na peça inicial, a equipe jurídica sustenta que as mensagens de Andrada geram “hostilidade indevida” contra o empresário, sua família, a companhia e os colaboradores. O documento cita ainda que associar Hang ao nazismo representa imputação de crime e discurso de ódio, o que, segundo os advogados, viola a legislação civil e penal.
A defesa acrescenta que o incêndio causou prejuízos patrimoniais e repercussão negativa para a marca, mas destaca que o processo busca reparação exclusivamente moral. A Havan argumenta que as declarações do ator “relativizam a violência” e “endossam práticas ilegais” ao minimizar o ato de vandalismo.
Posicionamento de Tuca Andrada
Até o momento, o ator não apresentou contestação formal nos autos. Em entrevistas anteriores sobre temas políticos, Andrada defendeu a liberdade de expressão e ironizou ações judiciais semelhantes. Procurada pela reportagem, a assessoria do artista informou que a equipe jurídica avaliará o caso “no prazo legal” antes de emitir nota pública.
Histórico recente de disputas envolvendo Luciano Hang
O fundador da Havan tem sido figura constante em processos relacionados a manifestações políticas. Em outubro de 2025, ele foi condenado a pagar indenização por danos morais ao presidente Luis Inácio Lula da Silva por faixas com mensagens ofensivas exibidas por aviões no litoral catarinense. Na ocasião, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina fixou o valor em R$ 30 mil.
Imagem: Internet
Além disso, Hang responde a ações que questionam declarações sobre urnas eletrônicas e financiamento de atos antidemocráticos. Em todas as contestações, o empresário alega exercer liberdade de expressão e nega violação de direitos alheios.
Trâmites do novo processo
A ação contra Tuca Andrada está sob análise de uma vara cível em Brusque (SC), cidade onde fica a sede da Havan. O juiz responsável determinou citação do réu, que terá 15 dias úteis para apresentar defesa após ser notificado. Caso não haja acordo entre as partes, o processo seguirá para audiência de conciliação e, posteriormente, julgamento de mérito.
Conforme o Código de Processo Civil, o magistrado pode fixar valor diferente do pedido inicial, a partir da avaliação de provas e da extensão do dano moral. Também é possível determinar a exclusão das publicações consideradas ofensivas. Se condenado, Andrada poderá recorrer ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina e, em última instância, ao Superior Tribunal de Justiça.
Contexto e possíveis desdobramentos
Especialistas em direito civil consultados apontam que casos envolvendo figuras públicas e redes sociais têm sido cada vez mais frequentes. As decisões costumam levar em conta o impacto das postagens, o contexto político e a intenção do autor das mensagens. Entidades de liberdade de imprensa e de proteção à honra acompanham o tema de perto, argumentando sobre a necessidade de equilibrar o direito à crítica e a proteção contra ofensas pessoais.
Até a conclusão do processo, Tuca Andrada mantém as postagens em seu perfil, enquanto Luciano Hang segue à frente da Havan, que possui mais de 180 lojas espalhadas pelo país. O desfecho do litígio poderá influenciar futuros conflitos entre personalidades públicas e usuários de redes sociais, sobretudo em discussões de caráter político.





