O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne-se nesta sexta-feira, 16, no Rio de Janeiro, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa. No encontro, agendado para as 13h no Palácio Itamaraty, os três chefes de Estado devem tratar de temas da agenda internacional e dos próximos passos para colocar em prática o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, aprovado pelos europeus na semana passada.
Encontro no Palácio Itamaraty
A reunião ocorrerá no centro da capital fluminense e será seguida de declaração conjunta à imprensa. De acordo com o Palácio do Planalto, a presença simultânea dos dois principais dirigentes da União Europeia reflete “prioridade política” para consolidar o pacto comercial com os países do Cone Sul. Além de Lula, Von der Leyen e Costa, participam assessores de Relações Exteriores e de Comércio dos dois blocos.
O governo brasileiro informou que o diálogo em solo carioca deve alinhar posições sobre governança global, transição energética e financiamento climático, questões consideradas centrais pela presidência do G20, atualmente sob comando do Brasil. A equipe ministerial de Lula também prevê abordar oportunidades de investimento em infraestrutura verde e a cooperação em ciência e tecnologia.
Acordo Mercosul–União Europeia em números
Negociado durante 25 anos, o tratado entre os dois blocos reúne cerca de 720 milhões de habitantes e representa um Produto Interno Bruto combinado de US$ 22 trilhões, segundo os ministérios brasileiros das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Na prática, o texto eliminará tarifas sobre mais de 90% dos produtos comercializados e estabelecerá regras comuns em compras governamentais, serviços e propriedade intelectual.
Uma cerimônia de assinatura definitiva está marcada para sábado, 17, em Assunção, no Paraguai, com a participação de líderes europeus e ministros de Relações Exteriores do Mercosul. O Brasil será representado pelo chanceler Mauro Vieira, que já se encontra na capital paraguaia para encontros preparatórios.
Coordenação com Portugal e cronograma de implementação
Na terça-feira, 13, Lula manteve conversa telefónica com o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro. Ambos concordaram em atuar de forma “rápida e eficiente” para que as populações dos blocos percebam resultados concretos do pacto. Diplomatas brasileiros defendem que o processo de ratificação em cada parlamento seja concluído até 2027, permitindo a entrada gradual em vigor ainda nesta década.
Segundo técnicos envolvidos nas negociações, a agenda de compromissos inclui a criação de comitês bilaterais em áreas como regras sanitárias, facilitação de investimentos e transferência de tecnologia. O plano de redução tarifária está dividido em faixas de quatro, oito e dez anos, dependendo da sensibilidade de cada produto para as economias envolvidas.
Resistências e desafios
Apesar do apoio de governos e de setores industriais, o tratado enfrenta críticas de agricultores europeus e de organizações ambientais. Produtores rurais da França alegam risco de concorrência desleal com alimentos sul-americanos, considerados mais baratos. Na terça-feira, tratores voltaram a ocupar ruas de Paris pela segunda vez em uma semana, em protesto contra a ratificação do acordo.
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Parlamentares de países como Irlanda e Áustria também condicionam seu aval à inclusão de salvaguardas ambientais mais rígidas. Em resposta, negociadores do Mercosul apontam que o texto final já prevê mecanismos de combate ao desmatamento e penalidades para infrações às normas climáticas.
Do lado sul-americano, confederações industriais pressionam pela rápida aprovação, argumentando que o acordo ampliará mercados para manufaturados e impulsionará investimentos estrangeiros. Para especialistas em comércio exterior, o principal desafio será harmonizar padrões técnicos e fitossanitários para viabilizar trocas em escala.
Expectativas para os próximos meses
Nos bastidores, diplomatas brasileiros veem o encontro no Rio de Janeiro como etapa decisiva para acelerar a tramitação legislativa nos 27 Estados-membros da União Europeia. A expectativa do Planalto é que uma sinalização política mais forte durante a visita de Von der Leyen e Costa favoreça a aprovação do texto ainda em 2026 nos principais parlamentos.
Após a cerimônia em Assunção, Brasília planeja intensificar missões diplomáticas junto a países europeus para detalhar os ganhos econômicos e ambientais do pacto. O Itamaraty também pretende organizar fóruns empresariais em São Paulo, Buenos Aires, Madrid e Berlim para esclarecer etapas de adaptação regulatória.
Se ratificado dentro do cronograma, o acordo criará a maior área de livre comércio já firmada pelo Brasil e abrirá espaço para parcerias em transição energética, cadeia de hidrogênio verde e projetos de inovação em setores estratégicos.





