Cientistas da Universidade Nacional Hanbat, na Coreia do Sul, desenvolveram um tipo de madeira transparente capaz de funcionar como janela inteligente, oferecendo controle térmico e luminoso sem consumo de energia elétrica. A tecnologia, divulgada em 26 de janeiro de 2026, combina transparência, isolamento térmico elevado e bloqueio quase total da radiação ultravioleta, posicionando-se como alternativa ecológica ao vidro tradicional.
Composição termocrômica ajusta transparência conforme a temperatura
O material é um biocompósito termocrômico obtido pela dispersão de um cristal líquido em um polímero curável por luz ultravioleta. Essa mistura é introduzida em madeiras previamente tratadas para remoção parcial de lignina, o que lhes confere transparência. A equipe testou o processo em peças de balsa, tília e pinho.
A versão em balsa apresentou o melhor desempenho. À temperatura ambiente, a transmitância de luz visível é de 28%, conferindo aspecto opaco que garante privacidade. Quando a temperatura alcança 40 °C, o material torna-se quase transparente, atingindo 78% de transmitância. Esse comportamento dispensa sensores ou fontes externas de energia: a própria variação térmica provoca a reorganização do cristal líquido e altera a passagem de luz.
Isolamento térmico supera o vidro convencional
Segundo o professor Jin Kim, responsável pelo estudo, a condutividade térmica do biocompósito é de 0,197 W m−1 K−1, valor aproximadamente cinco vezes inferior ao do vidro comum. Isso reduz perdas e ganhos de calor através das janelas, contribuindo para manter ambientes internos mais estáveis.
Além do isolamento, o material bloqueia quase 100% da radiação UVA graças a um efeito óptico conhecido como “agregação J”. Também barra parte significativa da radiação infravermelha, diminuindo a entrada de calor solar. Dessa forma, a janela de madeira transparente ajuda a conter a demanda por sistemas de climatização e, consequentemente, o consumo de energia em edifícios.
Aplicações potenciais em edificações e saúde
A janela inteligente foi pensada para residências, escritórios e estufas agrícolas. Em edifícios, o produto pode substituir diretamente painéis de vidro, oferecendo iluminação natural durante o dia e privacidade à noite. Nas estufas, a regulação passiva da temperatura evita o superaquecimento e protege as plantações de queimaduras solares, mantendo condições mais estáveis de cultivo.
Imagem: Tecnologia Inovação Notícias
Os investigadores também apontam usos na área de dispositivos vestíveis. O mesmo princípio termocrômico permite fabricar adesivos flexíveis para a pele que ficam translúcidos em temperaturas corporais superiores a 38 °C, servindo como alerta visual de febre sem necessidade de bateria ou circuitos eletrónicos.
Vantagens ambientais e desafios de implementação
A produção de vidro envolve temperaturas elevadas e elevado consumo energético, enquanto a madeira utilizada neste biocompósito provém de fontes renováveis e requer processos de fabricação menos intensivos. O bloqueio de raios UV e IR diminui a carga térmica interna dos edifícios, contribuindo para metas de eficiência energética e redução de emissões.
Apesar das vantagens, a escala industrial depende de fatores como custo de produção, durabilidade a longo prazo e resistência à umidade. A equipa sul-coreana foca agora na otimização do método de impregnação e na avaliação de ciclos repetidos de expansão e contração térmica, etapas necessárias antes da adoção em larga escala pelo setor da construção.
Combinando transparência, isolamento e resposta passiva à temperatura, a madeira transparente termocrômica surge como candidata para substituir o vidro em aplicações que exigem controle de luz e calor sem gasto energético adicional.





