O menino Anderson Kauã Barbosa Reis, de oito anos, regressou ao convívio familiar neste domingo (25) depois de completar a fase de recuperação num hospital de Bacabal, cidade a cerca de 240 km de São Luís. A criança é prima de Ágatha Isabelly Reis Lago, de seis anos, e de Allan Michael Reis Lago, de quatro, desaparecidos desde 4 de janeiro numa área de mata próxima à comunidade de São Sebastião dos Pretos.
Retorno após 13 dias de internação
Anderson foi encontrado por carroceiros três dias depois do sumiço do trio. Chegou ao hospital debilitado, com perda de aproximadamente 10 quilos e sinais de desidratação. Durante 13 dias, recebeu acompanhamento clínico, nutricional e psicológico. A alta médica foi concedida em 20 de janeiro, mas, por recomendação das equipas de saúde e do conselho tutelar, permaneceu sob monitorização adicional antes de regressar à casa da família.
Segundo o prefeito de Bacabal, Roberto Costa (MDB), o menino demonstrou evolução física satisfatória e está apto a retomar a rotina escolar assim que terminar o período de readaptação em casa. Profissionais de assistência social manterão visitas regulares para verificar condições de segurança, nutrição e apoio psicológico.
Foco das autoridades muda de varredura a investigação
As buscas por Ágatha e Allan mobilizaram, no auge da operação, cerca de 600 pessoas, incluindo Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Exército, Defesa Civil, voluntários, drones, helicópteros e cães farejadores. Foram inspecionados rios, igarapés e trilhas num raio extensivo em torno do local do desaparecimento. Mergulhadores da Marinha percorreram 19 km do rio Mearim com auxílio de sonar, mas nenhum indício foi localizado.
Em 22 de fevereiro, o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Ribeiro Martins, comunicou a transição das ações de campo para uma etapa predominantemente investigativa. A polícia civil concentra-se agora em cruzar depoimentos, analisar imagens de câmaras de segurança e checar pistas recebidas pela população.
Uma denúncia que sugeria a presença das crianças na região central de São Paulo foi examinada pelas polícias civis dos dois estados. Equipes paulistas visitaram o endereço indicado em 26 de fevereiro e confirmaram que não se tratava dos irmãos desaparecidos.
Depoimento do sobrevivente orienta linhas de busca
Durante entrevistas com psicólogos e investigadores, Anderson relatou que os três procuraram abrigo numa casa abandonada no meio do matagal após se distanciarem da comunidade. Ele teria saído sozinho em busca de ajuda, momento em que se perdeu dos primos. Cães farejadores encontraram vestígios humanos no local apontado pelo menino, mas o material não avançou para uma prova conclusiva.
Com base no testemunho do sobrevivente, peritos retornaram duas vezes à área, realizaram escavações pontuais e recolheram possíveis pistas. Todas foram enviadas ao Instituto de Criminalística, que até agora não confirmou ligação com o caso.
Imagem: Internet
Projetos sociais e participação comunitária
Para apoiar crianças e adolescentes da comunidade de São Sebastião dos Pretos, a prefeitura de Bacabal anunciou a criação de um projecto esportivo com aulas de futebol e judô. As modalidades de balé e capoeira devem ser incluídas nas próximas semanas. A iniciativa pretende oferecer atividades extracurriculares regulares e reforçar a rede de proteção à infância.
A administração municipal também organizou reuniões entre líderes comunitários, conselheiros tutelares e representantes da Secretaria de Assistência Social para alinhar estratégias de acolhimento a Anderson e de acompanhamento às famílias dos dois menores ainda desaparecidos.
Próximos passos da investigação
A Polícia Civil mantém duas frentes principais: análise de dados de telefonia e verificação de eventuais deslocamentos suspeitos de veículos na região na data do fato. Paralelamente, a equipe de psicólogos continua a ouvir Anderson em sessões curtas, respeitando limites clínicos, para esclarecer detalhes que possam ter passado despercebidos nas primeiras entrevistas.
As autoridades pedem que qualquer informação seja repassada pelo Disque-Denúncia (181). O sigilo do denunciante é garantido, e a polícia reforça que pistas falsas desviam recursos de buscas essenciais.
Até o momento, não há prazo definido para encerramento das investigações. Enquanto isso, voluntários, órgãos de segurança e familiares permanecem mobilizados na esperança de localizar Ágatha e Allan.





