A Meta Platforms resolveu interromper, de forma provisória, o acesso de menores de 18 anos aos personagens de Inteligência Artificial (IA) disponibilizados nas suas principais redes sociais. A decisão, anunciada após a atualização de uma publicação corporativa originalmente divulgada em outubro de 2025, pretende abrir caminho para uma nova geração de assistentes virtuais que inclua supervisionamento reforçado por responsáveis legais.
Suspensão imediata nas principais redes da empresa
Com o bloqueio, adolescentes deixam de conversar com os avatares de IA presentes em Facebook, Instagram e Messenger. Segundo a empresa, a solução temporária evita que a equipa de desenvolvimento crie duas camadas distintas de recursos de segurança — uma para a versão atual e outra para a futura. “Vamos suspender o acesso de adolescentes à versão existente enquanto nos concentramos na nova”, referiu a nota da companhia.
Os personagens de IA da Meta, introduzidos para ampliar a oferta de assistência virtual e entretenimento dentro dos aplicativos, simulam personalidades distintas e respondem a perguntas em linguagem natural. Ainda não há estimativa pública para retorno desse recurso ao público juvenil.
Controles parentais serão nativos na próxima versão
Conforme o comunicado atualizado, a evolução do serviço trará ferramentas de monitorização que podem ser geridas pelos encarregados de educação. Entre as funções em estudo estão relatórios de atividade, limites de tempo de uso e filtros de conteúdo potencialmente sensível. A Meta afirma que o desenho desses mecanismos é a prioridade imediata da equipa de produto.
A estratégia acompanha o compromisso assumido pela empresa em 2025, quando passou a integrar painéis consultivos formados por especialistas em segurança online, psicologia infantil e governança de dados. Ao optar por adiar o acesso para menores, a Meta garante que os novos controlos sejam incorporados no núcleo do sistema, evitando correções ou adaptações posteriores que possam comprometer a experiência de uso.
Feedback de pais e educadores motivou a mudança
Em declarações ao portal TechCrunch, representantes da companhia salientaram que a medida resulta de conversas mantidas com pais e responsáveis, que pediram maior transparência sobre como os jovens interagem com tecnologias baseadas em inteligência artificial. A principal preocupação relatada foi o risco de exposição a respostas inadequadas ou inverídicas, dada a natureza probabilística dos modelos de linguagem.
<pAinda de acordo com a Meta, o período sem acesso ajudará a recolher dados adicionais sobre a melhor forma de apresentar informações pedagógicas a famílias e tutores. A empresa planeia incluir guias de boas práticas, descrições claras das capacidades e limitações das IAs, além de alertas visíveis quando os utilizadores forem menores de idade.
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Contexto regulatório pressiona por salvaguardas
A decisão surge num momento em que reguladores norte-americanos e europeus reforçam a cobrança por proteção específica para crianças e adolescentes em ambientes digitais. Em 2024, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) abriu investigações sobre a exposição de menores a conteúdo gerado por IA em redes sociais. Na União Europeia, o recém-aprovado Ato de Serviços Digitais impõe obrigações rigorosas de verificação de idade e mitigação de riscos sistémicos para plataformas de grande escala.
Empresas do setor têm respondido com iniciativas próprias, tentando antecipar exigências legais e preservar reputação. No caso da Meta, a suspensão preventiva alinha-se ao compromisso público de “construir tecnologias responsáveis”, termo reiterado em relatórios de transparência enviados a investidores e autoridades de proteção de dados.
Próximos passos
Depois de concluir a implementação dos novos controlos, a Meta pretende restabelecer o serviço para adolescentes. O cronograma interno não foi divulgado, mas executivos indicaram que a liberação dependerá da validação de especialistas externos e de testes de segurança específicos para o público juvenil.
Enquanto isso, utilizadores adultos continuam a ter acesso normal aos personagens de IA. A empresa não mencionou alterações na política de privacidade ou nos termos de uso para esse segmento, mas informou que monitorará interações em busca de potenciais melhorias que possam ser replicadas na futura versão destinada aos menores.





