A Meta Platforms projeta um salto expressivo nos seus gastos anuais ao estruturar a infraestrutura necessária para alcançar a chamada “superinteligência”, conceito que descreve sistemas de inteligência artificial capazes de superar a capacidade de raciocínio humano. A empresa prevê aplicar entre US$ 115 mil milhões e US$ 135 mil milhões num único exercício, montante que supera com folga os US$ 72,22 mil milhões desembolsados no ano anterior.
Plano financeiro até 2026
Para além do incremento imediato, a Meta estimou que as despesas totais de 2026 ficarão na faixa dos US$ 162 mil milhões a US$ 169 mil milhões, comparativamente aos US$ 117,69 mil milhões registados há um ano. O acréscimo cobre investimentos em centros de dados, aquisição de componentes avançados de computação e recrutamento de especialistas em inteligência artificial.
A atualização financeira foi bem recebida no mercado: as ações da controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp avançaram quase 4% após o encerramento da sessão regular. Analistas atribuem o movimento às expectativas de que a expansão da infraestrutura de IA aumente a competitividade da companhia face a rivais como Alphabet e Microsoft.
Reestruturação interna e cortes em Reality Labs
Parte do capital virá de economias internas. A Meta confirmou a demissão de cerca de 10% dos 15 mil funcionários da Reality Labs, divisão dedicada a projetos de realidade virtual e aumentada. A empresa pretende redirecionar recursos antes reservados ao “metaverso” para dispositivos vestíveis e plataformas de IA.
Desde 2021, a Reality Labs acumulou perdas superiores a US$ 70 mil milhões, refletindo a aposta de Mark Zuckerberg em mundos virtuais imersivos. Apesar dos cortes, a Meta afirma que não abandonará o segmento, mas vai reduzir o número de produtos em desenvolvimento para concentrar-se em hardware de maior potencial de mercado.
Centros de dados em escala de gigawatts
O novo ciclo de investimentos inclui a construção de vários centros de processamento de dados de escala de gigawatts nos Estados Unidos. Um dos projectos, localizado na zona rural da Luisiana, foi citado pelo ex-presidente Donald Trump como um empreendimento de US$ 50 mil milhões, extensão suficiente para ocupar parte significativa de Manhattan.
Imagem: Tecnologia Inovação Notícias
Estes complexos servirão de base para treinar modelos de IA cada vez mais complexos. A necessidade de energia contínua e estável levou a Meta a estabelecer acordos estratégicos com as empresas Vistra, Oklo e TerraPower. As parcerias posicionam a companhia como uma das maiores compradoras corporativas de energia nuclear no mundo, reforçando o compromisso com uma matriz limpa e de alta disponibilidade.
Competição na IA e lições do Llama 4
A aceleração dos gastos responde à corrida tecnológica que se intensificou desde o avanço do ChatGPT e de outros modelos generativos. A Meta enfrenta pressão adicional após a recepção considerada fraca do seu modelo Llama 4, lançado recentemente. Críticas sobre desempenho e aplicabilidade levaram a empresa a acelerar o desenvolvimento de novas versões, que começaram a ser testadas internamente este mês.
Executivos da companhia indicam que a próxima onda de modelos proprietários focará eficiência energética, menor pegada de carbono e capacidade de raciocínio multimodal. O objectivo é criar soluções de IA que possam integrar-se de forma transversal aos seus principais serviços sociais e de mensagens, reforçando a retenção de utilizadores e a monetização por meio de anúncios personalizados.
Ao ampliar o orçamento e rever suas prioridades, a Meta busca recuperar terreno na inteligência artificial, consolidar uma infraestrutura de larga escala e preparar o ecossistema de produtos para aplicações que vão desde assistentes virtuais até análise avançada de dados. A aposta na “superinteligência” marca o maior compromisso financeiro da companhia desde a fundação, sinalizando que a próxima etapa da disputa entre gigantes tecnológicos será travada no domínio da capacidade de cálculo e da eficiência energética.





