Meta, OpenAI e ByteDance disputam criação do sucessor do smartphone

NewsUp Brasil

O smartphone permanece no centro da vida digital, mas três das maiores empresas de tecnologia já investem em aparelhos concebidos para ultrapassar o telemóvel como principal interface com a internet. Meta, OpenAI e ByteDance desenvolvem dispositivos centrados em inteligência artificial (IA) e procuram redefinir a forma como os utilizadores interagem com serviços online.

Aposta da Meta passa por óculos inteligentes e realidade mista

Dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, a Meta reforçou recentemente a equipa de hardware ao contratar Allen Dye, ex-responsável de design do Apple Vision Pro e do Apple Watch. O objetivo é acelerar a evolução do headset Meta Quest e dos óculos inteligentes criados em parceria com Ray-Ban e Oakley.

A companhia de Mark Zuckerberg pretende que os óculos capturem fotos, gravem vídeos e sejam capazes de responder a comandos por voz graças a recursos de IA incorporados. Testes internos já permitem ao utilizador dialogar com o assistente virtual integrado para obter informações ou executar tarefas sem recorrer ao ecrã do telemóvel.

Embora o uso de comandos falados em público ainda desperte estranheza, a Meta calcula que a adoção crescente de auscultadores com assistentes de voz pode facilitar a aceitação de conversas com óculos inteligentes. O foco em design reconhecível e funcionalidades práticas tenta tornar o produto atraente para além do nicho de entusiastas de realidade aumentada.

OpenAI prepara dispositivo “AI first” em parceria com Jony Ive

Criadora do ChatGPT, a OpenAI adquiriu a startup LoveFrom, liderada por Jony Ive, nome associado a clássicos da Apple como iPhone e iMac. A fabricante planeia um equipamento concebido desde o início para interações conversacionais, descrito internamente como “AI first”.

Detalhes sobre formato, preço e data de lançamento permanecem em sigilo. A estratégia difere do fornecimento de software gratuito, modelo que popularizou o ChatGPT. A aposta agora envolve convencer consumidores a investir num novo hardware capaz de justificar a troca de dispositivo.

Executivos da empresa admitem que o aparelho precisa oferecer benefícios claros face ao smartphone, como respostas em tempo real sem dependência constante de um ecrã. A integração de sensores, microfones de campo distante e conexão permanente à nuvem de IA são componentes considerados essenciais.

ByteDance alia-se à ZTE num “agentic smartphone” orientado por IA

Na China, a ByteDance, controladora do TikTok, desenvolve com a ZTE o Nubia, descrito como um agentic smartphone — aparelho em que agentes inteligentes gerem grande parte das tarefas. O modelo usará o chatbot Daobao, já popular na versão chinesa do TikTok, como camada principal de interação.

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Imagem: Tecnologia & Inovação

Em vez de aplicações tradicionais distribuídas em ecrãs, o utilizador conversará com o agente para aceder a serviços, criar conteúdo ou configurar o sistema. A solução combina hardware de marca estabelecida com um ecossistema de IA que a ByteDance opera em várias plataformas.

Por que as gigantes procuram o pós-smartphone?

A generalização de assistentes generativos mudou a lógica das interfaces. Em vez de toques e gestos, a conversação com sistemas de IA promete acesso mais direto a informações e comandos. Para as empresas, controlar o hardware garante integração profunda entre serviços e reduz dependência de lojas de aplicações de terceiros.

Além disso, o mercado de telemóveis mostra sinais de saturação, com ciclos de troca mais longos e margens de lucro menores. Um novo tipo de dispositivo pode abrir receitas adicionais em hardware, software e serviços por assinatura ligados a funcionalidades de IA.

Desafios de adoção e custo

Apesar da corrida, a substituição do smartphone não é imediata. Os utilizadores estão habituados a ecrãs táteis, câmaras de alta qualidade e ecossistemas consolidados. Para conquistar o público, os novos aparelhos terão de combinar conveniência superior, preço competitivo e privacidade robusta.

Especialistas apontam ainda a necessidade de infraestrutura: conexões móveis de alta velocidade, consumo energético otimizado e normas de segurança para processamento de dados sensíveis por agentes de IA.

Meta, OpenAI e ByteDance partem de pontos distintos, mas convergem na tentativa de tornar a inteligência artificial protagonista da próxima geração de hardware pessoal. Se algum projeto conseguirá suplantar o smartphone como dispositivo dominante, permanece incerto; porém, a competição intensifica-se e indica que a próxima grande mudança de paradigma poderá chegar mais cedo do que se imagina.

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