Meta reforça aposta em energia nuclear com novos acordos de 3,8 GW nos EUA

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A Meta firmou dois contratos para expandir o uso de energia nuclear nos Estados Unidos, somando até 3,8 gigawatts (GW) de capacidade livre de carbono destinada às suas operações corporativas. Os entendimentos, divulgados nesta sexta-feira (9), envolvem a desenvolvedora Oklo e a geradora Vistra e têm como objetivo garantir fornecimento estável para data centers e projetos ligados à inteligência artificial.

Acordo com a Oklo prevê campus de 1,2 GW em Ohio

No primeiro compromisso, a Meta apoiará a construção de um campus nuclear da Oklo com capacidade máxima de 1,2 GW no sul do estado de Ohio. A iniciativa estabelece um mecanismo de pré-pagamento pela energia futura, permitindo que a empresa de tecnologia antecipe recursos e reduza incertezas do projeto.

Segundo a Oklo, os valores adiantados serão direcionados à aquisição de combustível nuclear e ao avanço da Fase 1, que engloba atividades de pré-construção. O início desta fase está previsto para 2026, enquanto a entrada em operação comercial da primeira etapa está programada para 2030. A desenvolvedora não divulgou detalhes sobre as fases subsequentes, mas confirmou que o campus foi concebido para acolher reatores modulares avançados capazes de fornecer energia contínua ao longo do dia.

Com o acordo, a Meta assegura participação direta no desenvolvimento de nova infraestrutura nuclear, alinhando-se à estratégia de reservar energia de base isenta de carbono para sustentar a expansão de aplicações de alta demanda computacional, como modelos de inteligência artificial generativa.

Vistra assina PPA de 20 anos para 2,6 GW de capacidade

O segundo movimento envolve a Vistra, que fechou contratos de compra de energia (Power Purchase Agreements – PPAs) de 20 anos com a Meta. Os termos abrangem 2.609 megawatts (MW) de eletricidade nuclear no sistema PJM, responsável pela coordenação do mercado atacadista de energia elétrica em 13 estados norte-americanos.

Dentro dessa potência, 2.176 MW correspondem a unidades nucleares já em operação, enquanto 433 MW provêm de expansões planejadas pela Vistra em usinas existentes. A companhia descreveu o pacote de melhorias como o maior aumento de potência nuclear já amparado por um cliente corporativo no país.

Ao optar por contratos de longo prazo, a Meta obtém previsibilidade de custos e reforça a viabilidade financeira das ampliações planejadas pela Vistra. A geradora, por sua vez, garante receita estável para investimentos em modernização e ganhos de eficiência nos reatores.

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Energias limpas e demanda crescente de data centers

A Meta reiterou que a energia nuclear é componente central da sua meta de operar com fontes 100 % renováveis ou isentas de carbono. A companhia já mantém contratos significativos de solar e eólica, mas considera a geração nuclear crucial para assegurar disponibilidade continuamente, sobretudo em horários de menor produção renovável intermitente.

Os novos data centers e clusters voltados a inteligência artificial exigem grandes volumes de eletricidade com baixa variabilidade. Nessa conjuntura, a combinação de reatores convencionais existentes, expansões de capacidade e projetos modulares avançados tende a oferecer a segurança de suprimento buscada pela empresa.

Embora os comunicados não revelem valores financeiros, os anúncios indicam intensificação do envolvimento de grandes corporações tecnológicas no financiamento de infraestrutura energética de base. Além de reduzir a pegada de carbono, a participação direta em projetos de geração contribui para mitigar riscos de instabilidade tarifária no longo prazo.

Com os acordos assinados, a Meta passa a contar com uma carteira nuclear que, quando concluída, representará parte expressiva do consumo total de energia dos seus data centers nos Estados Unidos. A conclusão dos projetos permanece condicionada a licenças regulatórias, andamento de obras civis e suprimento de combustível, etapas que serão acompanhadas nos próximos anos.

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