São Paulo, 26 de janeiro de 2026 — A Meta confirmou que dará início a testes com planos de assinatura no Facebook, Instagram e WhatsApp. A iniciativa pretende oferecer funcionalidades extras a utilizadores dispostos a pagar por uma experiência diferenciada nas três plataformas.
Testes de assinaturas incluem recursos premium por aplicação
Segundo a empresa, os pacotes serão distintos em cada serviço e podem combinar diferentes ferramentas de acordo com o perfil de uso. Uma das funcionalidades em avaliação — divulgada por um programador que inspecionou o código do Instagram — permite identificar rapidamente quais contas seguidas pelo utilizador não o seguem de volta. Apesar de não ter detalhado todos os recursos, a Meta afirma que o objetivo é criar “experiências premium” focadas em produtividade, gestão de comunidades e personalização.
A companhia salientou que ainda não definiu a estratégia comercial final. Ao longo dos próximos meses, grupos selecionados de utilizadores deverão receber acesso limitado às novidades para que a Meta avalie adesão, preço ideal e relevância de cada benefício. Concluída essa etapa, a oferta poderá ser ampliada gradualmente ou ajustada conforme o retorno dos testes.
As assinaturas surgem num momento em que a receita publicitária enfrenta pressão de mudanças nos sistemas de rastreio de terceiros. Ao diversificar fontes de rendimento, a Meta procura reduzir dependência de anúncios e garantir margem para a introdução de ferramentas que, segundo a companhia, não seriam economicamente viáveis no formato gratuito.
Integração da IA Manus e ajustes no acesso de adolescentes
Paralelamente aos novos modelos de assinatura, a Meta prepara a incorporação da Manus, agente de inteligência artificial adquirida por aproximadamente US$ 2 mil milhões. A tecnologia deverá aparecer de forma gradual em Facebook, Instagram e WhatsApp, oferecendo recursos de geração de conteúdo, atendimento automatizado e suporte a criadores.
Em comunicado, a empresa informou que planeia testar diferentes formas de integração antes de disponibilizar a IA para todo o público. A ordem de lançamento e as funções específicas dependerão de fatores como impacto em servidores, feedback de utilizadores e requisitos regulatórios em cada região.
Enquanto expande a presença da inteligência artificial, a Meta decidiu suspender temporariamente o acesso de adolescentes a personagens baseados em IA. A medida, classificada como “preventiva”, foi tomada para permitir o desenvolvimento de novos controlos parentais. Não há prazo oficial para a reativação do recurso a menores de idade.
Imagem: Internet
Ação coletiva alega acesso indevido a mensagens do WhatsApp
No campo jurídico, a empresa enfrenta um novo processo nos Estados Unidos que questiona a política de privacidade do WhatsApp. O grupo de autores — que inclui utilizadores do Brasil, Austrália, Índia, México e África do Sul — alega que a Meta consegue armazenar, analisar e consultar praticamente todas as conversas mantidas na plataforma, apesar da criptografia de ponta a ponta.
Os queixosos afirmam ter obtido documentos internos e relatos de denunciantes que indicariam a existência de sistemas capazes de contornar a segurança das mensagens. O processo busca reconhecimento como ação coletiva, o que ampliaria o alcance potencial a mais de dois mil milhões de utilizadores.
A Meta refuta as acusações, classificando-as como “categoricamente falsas e absurdas”. De acordo com a empresa, o WhatsApp utiliza há mais de dez anos o protocolo Signal para proteger as mensagens, impedindo inclusive o acesso da própria companhia ao conteúdo. A defesa acrescenta que pretende solicitar sanções contra a equipa jurídica que conduz o caso, por considerar que a ação carece de fundamento técnico.
Caso o tribunal permita o avanço da ação, a Meta poderá ser obrigada a revelar detalhes sobre a arquitetura de encriptação e eventuais mecanismos de moderação de conteúdo. Especialistas em privacidade observam que o desfecho pode estabelecer precedente relevante para serviços de mensagens que dependem de criptografia e, ao mesmo tempo, precisam atender exigências legais de combate a crimes online.
Por enquanto, a empresa concentra-se em lançar os testes de assinatura e na integração de inteligência artificial, enquanto se defende judicialmente das alegações relacionadas ao WhatsApp. Os próximos meses serão decisivos para medir a aceitação do modelo pago e para acompanhar o andamento do processo que questiona a confidencialidade das mensagens na plataforma.





