Microsoft anuncia plano para cortar consumo de água de data centers e manter contas de luz estáveis

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13 de janeiro de 2024 — A Microsoft divulgou um programa de sustentabilidade que pretende reduzir o uso de água em seus data centers instalados nos Estados Unidos e evitar que o elevado gasto elétrico dessas estruturas provoque aumento na conta de luz dos consumidores. As medidas incluem o pagamento de tarifas de eletricidade suficientemente altas para cobrir integralmente os custos de fornecimento, a expansão da infraestrutura energética em parceria com concessionárias locais e o compromisso de repor mais água do que os centros de dados efetivamente consomem.

Garantia de estabilidade no preço da eletricidade

Segundo a empresa, os data centers serão operados de forma a não transferir custos adicionais para a rede pública. Para isso, a Microsoft acertou o pagamento de taxas de fornecimento que cobrem o valor real da energia utilizada. Dessa forma, o consumo intensivo associado à computação em nuvem e ao treino de modelos de inteligência artificial não recairá sobre os demais usuários do sistema.

Além das tarifas, a companhia informou que colaborará com empresas locais para ampliar a oferta de energia onde houver necessidade de novos projetos ou de expansão dos centros existentes. O plano prevê investimentos em linhas de transmissão, sistemas de armazenamento e fontes alternativas para garantir estabilidade na rede elétrica regional.

O anúncio surge após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que pediu “grandes mudanças” na estratégia de infraestrutura de IA da Microsoft para impedir efeitos negativos na fatura de luz da população. A gigante da tecnologia afirma que a iniciativa atende a essa preocupação e fornece um mecanismo transparente de compensação de custos.

Meta de reposição hídrica além do consumo

A redução do consumo de água integra o mesmo pacote de ações. A Microsoft informou que os data centers passarão a operar com metas específicas de eficiência hídrica, incluindo tecnologia de resfriamento otimizada e políticas de reúso. A companhia também se comprometeu a repor mais água do que retira, estratégia conhecida como water positive.

Para garantir a rastreabilidade, a empresa começará a publicar relatórios regionais detalhando o volume de água utilizado e o progresso na reposição. Os documentos estarão disponíveis para cada área onde exista um data center, permitindo acompanhar o desempenho ao longo do tempo.

Entre as práticas de reposição estão a revitalização de bacias hidrográficas, projetos de conservação de nascentes e parceria com organizações locais para promover o acesso sustentável a recursos hídricos. A Microsoft não divulgou valores de investimento, mas indicou que o programa será implementado gradualmente nas diferentes regiões, priorizando localidades com maior stress hídrico.

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Imagem: Tecnologia & Inovação

Integração com metas ambientais globais

O novo plano integra a estratégia climática mais ampla da Microsoft, que prevê neutralidade de carbono até 2030. A empresa já havia assumido compromissos voltados à eficiência energética e ao uso de energias renováveis, porém esta é a primeira iniciativa com metas específicas para água e estabilização de custos ao consumidor.

Para viabilizar as metas, os data centers deverão adotar sistemas de resfriamento por ar em climas mais frios, reaproveitar condensado de unidades de ar-condicionado e utilizar água reciclada sempre que possível. Em regiões mais quentes, onde a evaporação é maior, a companhia pretende reforçar a utilização de fontes de energia renovável — como solar e eólica — para reduzir o calor gerado internamente e, consequentemente, a demanda por água de resfriamento.

Próximos passos

A Microsoft planeja divulgar o primeiro relatório de uso de água e os respectivos balanços de reposição ainda neste ano fiscal. Em paralelo, devem ser anunciados acordos com concessionárias de energia para definir investimentos em rede e garantir que a expansão dos serviços em nuvem não pressione o sistema elétrico local.

A empresa acredita que o modelo de pagamento de tarifas plenas, aliado à transparência sobre consumo e reposição, poderá servir de referência para outras corporações que operam data centers em grande escala. A expectativa é que a abordagem contribua para fortalecer a infraestrutura crítica dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, diminuir o impacto ambiental associado ao crescimento da computação em nuvem e da inteligência artificial.

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