A Microsoft apresentou nesta quarta-feira o desempenho do segundo trimestre fiscal, encerrado em dezembro, com resultados próximos às projeções para a área de computação em nuvem. Mesmo assim, o mercado reagiu de forma negativa: os papéis da companhia recuaram mais de 7% nas negociações pós-fechamento.
Crescimento consistente na nuvem, mas receios persistem
A divisão Azure registou expansão de 39% na receita trimestral em comparação com o mesmo período de 2022. A taxa ficou praticamente alinhada à previsão média dos analistas, de 38,8%, compilada pela Visible Alpha.
No consolidado, o faturamento da Microsoft somou 81,3 mil milhões de dólares, alta de 17% ano sobre ano e ligeiramente acima dos 80,27 mil milhões de dólares estimados pela LSEG. O desempenho manteve a empresa entre as líderes do segmento, mas não dissipou dúvidas sobre a eficácia dos investimentos bilionários em inteligência artificial.
O lucro operacional não foi detalhado na divulgação inicial, mas a retração das ações indica que parte dos investidores teme pressões marginais vindas de projetos de longo prazo. O declínio de mais de 7% no aftermarket sinaliza preocupação quanto ao ritmo de retorno financeiro da estratégia de IA.
Inteligência artificial no centro das atenções
A Microsoft há anos aposta na inteligência artificial como vetor de crescimento. O acordo fechado em 2019 com a OpenAI, reforçado por aportes posteriores, garantiu à empresa uma participação de 27% na desenvolvedora do ChatGPT. Essa aliança permitiu incorporar modelos generativos a serviços como o M365 Copilot e impulsionar a procura por infraestrutura na Azure.
Contudo, a adoção de soluções rivais, entre elas o Gemini do Google e o agente autónomo Claude Cowork da Anthropic, amplia a concorrência. Analistas consultados por agências internacionais avaliam que a popularização dessas plataformas pode diluir a vantagem inicial da Microsoft e pressionar margens, sobretudo se a empresa tiver de aumentar gastos para manter ferramentas competitivas.
Outro ponto de atenção refere-se às perdas acumuladas pela OpenAI. Especialistas lembram que, ao deter quase um terço da startup, a Microsoft deve reconhecer parte desses resultados nas suas próprias contas, podendo elevar despesas e afetar indicadores de rentabilidade.
Imagem: Tecnologia & Inovação
Perspetivas e desafios imediatos
A direção da Microsoft reafirmou o compromisso de reforçar a infraestrutura de nuvem e de acelerar projetos de IA ao longo de 2024. Entretanto, investidores aguardam sinais mais concretos sobre quando esses investimentos começarão a contribuir de forma visível para o lucro líquido.
No curto prazo, a atenção volta-se para o desempenho dos serviços corporativos, que representam a maior fatia da receita da empresa. Caso a procura por soluções baseadas em IA avance num ritmo insuficiente para compensar o aumento de custos, a pressão sobre as ações pode persistir.
Por outro lado, analistas ressaltam que contratos plurianuais com grandes clientes e o ecossistema integrado do Windows, do Office e da Azure oferecem resiliência à companhia. Esse posicionamento pode mitigar eventuais impactos de flutuações de curto prazo no mercado de IA.
Números-chave do trimestre
• Receita total: 81,3 mil milhões de dólares (+17% YoY)
• Receita da Azure: +39% YoY
• Expectativa do mercado para Azure: 38,8%
• Expectativa do mercado para receita total: 80,27 mil milhões de dólares
• Variação das ações após o fecho: -7%
Embora tenha superado ligeiramente as estimativas de faturamento, a Microsoft enfrenta o desafio de converter o entusiasmo em torno da IA em resultados financeiros mais robustos. A reação desfavorável do mercado deixa claro que o crescimento da Azure, por si só, já não basta para sustentar o valor das ações sem evidências de retorno rápido sobre os investimentos em tecnologias emergentes.





