MiniMax estreia em Hong Kong e duplica valor de mercado em poucas horas

O MiniMax Group tornou-se, nesta sexta-feira (9), a segunda startup chinesa de inteligência artificial a abrir o capital em Hong Kong e viu as suas ações duplicarem de valor logo no primeiro dia de negociação. A empresa captou 4,8 mil milhões de dólares de Hong Kong (aproximadamente 620 milhões de dólares) no IPO, recursos destinados principalmente à pesquisa e desenvolvimento.

Estreia com valorização recorde

Os papéis foram oferecidos a 165 dólares de Hong Kong e encerraram a sessão a 345 dólares de Hong Kong, depois de tocarem o pico intradiário de 351,80. Com esse desempenho, a companhia passou a ser avaliada em cerca de 13,7 mil milhões de dólares, superando, com folga, a alta de 13 % registada pela Zhipu AI na véspera da sua própria estreia.

Segundo analistas de mercado, o posicionamento da MiniMax no segmento de consumo — em detrimento do foco corporativo adotado pela Zhipu AI — atraiu investidores em busca de crescimento acelerado. De acordo com Lian Jye Su, analista-chefe da consultora tecnológica Omdia, o histórico de desempenho dos modelos de código aberto da MiniMax em benchmarks reconhecidos reforçou a confiança do mercado.

Modelo de negócio e produtos

Fundada no início de 2022 em Xangai pelo ex-executivo da SenseTime Yan Junjie, a empresa desenvolve modelos multimodais capazes de lidar com texto, áudio, imagem, vídeo e música. Entre as aplicações mais populares estão o Hailuo AI, ferramenta de geração de vídeo, e o Talkie, um aplicativo de interação que permite conversar com personagens virtuais criados por IA.

Durante a cerimónia de listagem, Yan afirmou que esta é “apenas a primeira etapa” e destacou a expectativa de que o ritmo de avanços em IA continue elevado ao longo dos próximos quatro anos. A estrutura acionista inclui nomes como Alibaba, Abu-Dhabi Investment Authority, Boyu Capital e Mirae Asset, sinalizando interesse de fundos globais e regionais no potencial de expansão do portfólio da MiniMax.

Comparação com a Zhipu AI

A Zhipu AI, considerada um dos “tigres de IA” da China ao lado da MiniMax, também voltou a subir no pregão desta sexta-feira, alcançando valorização de 20,6 % após o ganho inicial de 13 %. A companhia havia levantado 4,35 mil milhões de dólares de Hong Kong em sua oferta pública inicial e, agora, está avaliada em cerca de 9 mil milhões de dólares.

Enquanto a Zhipu direciona os seus serviços a governos e empresas, oferecendo soluções de linguagem natural e contratos corporativos, a MiniMax concentra-se em aplicações para o consumidor final, estratégia que, segundo participantes do mercado, oferece maior margem de crescimento em curto prazo, ainda que com maior volatilidade.

MiniMax estreia em Hong Kong e duplica valor de mercado em poucas horas - Tecnologia e Inovação

Imagem: Tecnologia e Inovação

Perspetivas para outras listagens de IA

O desempenho positivo dos dois primeiros “tigres” reforçou as expectativas de novas aberturas de capital entre empresas chinesas de tecnologia avançada. Entre os nomes citados por fontes do setor estão a xFusion — divisão de servidores de IA desmembrada da Huawei que contratou a Citic Securities para organizar um futuro IPO no continente —, a fabricante de chips de memória ChangXin Memory Technologies e a Kunlunxin, braço de semicondutores de IA da Baidu. Já a DeepSeek, outra desenvolvedora de modelos de linguagem em destaque, ainda não indicou planos para ingressar nos mercados acionistas.

O interesse global por inteligência artificial tem levado gestores de ativos a diversificar exposições, especialmente em mercados asiáticos, onde autoridades buscam equilibrar o apoio a startups inovadoras com a manutenção de controles regulatórios. Analistas apontam que, após anos de restrições a listagens de tecnologia na China continental, Hong Kong consolida-se como plataforma de captação para empresas que pretendem acelerar investimentos em infraestruturas de computação e algoritmos avançados.

Destinação dos recursos e desafios futuros

No caso da MiniMax, a maior parte dos 620 milhões de dólares obtidos será aplicada em expansão de capacidade computacional, contratação de talentos especializados e melhoria de seus modelos. O restante financiará esforços de marketing e potenciais aquisições que complementem o ecossistema de produtos.

Especialistas lembram, contudo, que a competição permanece intensa no setor. Gigantes globais e empresas locais, muitas com apoio estatal, investem somas elevadas em pesquisa de IA generativa, aumentando a pressão por inovação constante. A valorização expressiva no primeiro dia, embora incentive novas emissões, também eleva a responsabilidade da gestão em transformar capital levantado em soluções comercializáveis e fluxo de caixa sustentável.

Por enquanto, a MiniMax capitaliza o entusiasmo dos investidores e reforça a percepção de que Hong Kong se consolida como destino preferencial para listagens de alto crescimento ligadas à inteligência artificial.

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