Quatro astronautas da missão Crew-11 aterrissaram no oceano Pacífico na madrugada desta quinta-feira (15) depois de a NASA decidir encurtar a permanência da equipa na Estação Espacial Internacional (ISS) por causa de um problema de saúde com um dos tripulantes. O episódio marca a primeira evacuação médica já realizada a partir do complexo orbital.
Procedimento coordenado em menos de 48 horas
A cápsula Dragon, operada pela SpaceX, desacoplou da ISS às 22h20 GMT de quarta-feira (19h20 no horário de Brasília). Cerca de duas horas e vinte minutos depois, às 00h41 GMT (05h41 em Brasília), o veículo amerissou em águas próximas à costa de San Diego, Califórnia, onde equipes de resgate aguardavam para recolher os quatro ocupantes.
Participaram do regresso os norte-americanos Mike Fincke e Zena Cardman, o russo Oleg Platonov e o japonês Kimiya Yui. Fontes da agência confirmaram que o astronauta afetado “está estável” e recebe acompanhamento médico avançado já em solo. Por razões de privacidade, o nome do paciente e detalhes do diagnóstico permanecem reservados.
Segundo Rob Navias, porta-voz da NASA, o retorno não ocorreu em caráter de emergência, mas sim como medida de precaução: “Todos a bordo encontravam-se em condições seguras. Optámos pelo regresso para permitir exames detalhados que só são possíveis em instalações terrestres”.
Primeira evacuação médica na história da estação
Inaugurada em 1998 e habitada sem interrupções desde 2000, a Estação Espacial Internacional nunca tinha registado a necessidade de retirar uma tripulação completa por motivo clínico. James Polk, diretor de Saúde Espacial da agência, explicou que a “incerteza quanto ao diagnóstico” motivou a antecipação da volta da Crew-11, inicialmente prevista para meados de fevereiro.
O procedimento foi executado após avaliação conjunta entre médicos da NASA, supervisores de voo em Houston e engenheiros da Roscosmos, parceira russa no laboratório em órbita. A cooperação assegurou janelas de manobra para liberar o porto de acoplagem e alinhar a trajetória de reentrada da cápsula Dragon.
Polk destacou que a tripulação recebeu treino específico para lidar com emergências médicas a 400 km de altitude: “As competências de suporte avançado de vida e a capacidade de telemedicina a bordo minimizam riscos, mas certas condições exigem diagnóstico que só equipamentos terrestres oferecem”.
Missão curta, mas com cinco meses de pesquisas
A Crew-11 chegou à ISS em 5 de agosto de 2025, transportada por um Falcon 9, com a tarefa de conduzir investigações sobre combustão em microgravidade, envelhecimento de tecidos humanos e demonstrações de impressão 3D de peças metálicas. Apesar do regresso antecipado, grande parte dos experimentos já se encontrava em fase de análise ou foi transferida a membros da atual Expedição 72, que permanece na estação.
Imagem: NewsUp Brasil
Continuam em órbita o astronauta norte-americano Chris Williams e os cosmonautas Sergey Kud-Sverchkov e Sergey Mikayev, chegados em novembro numa cápsula Soyuz. Eles retomarão o cronograma de manutenção de painéis solares, recebimento de cargueiros automáticos e preparação para a próxima rotação de equipas.
Impacto mínimo no calendário de voos
De acordo com Amit Kshatriya, administrador adjunto de operações da estação, o incidente não altera a meta de manter seis a sete pessoas em órbita em regime contínuo. A próxima missão comercial tripulada, Crew-12, continua programada para o final de fevereiro, enquanto a Soyuz MS-26 deverá levar novos cosmonautas em março.
Kshatriya também frisou que a cápsula Dragon comporta sistemas redundantes para pouso de precisão, incluindo quatro paraquedas principais, motores Draco para controle de atitude e escudo térmico reutilizável. “O sucesso do procedimento confirma a maturidade das operações de evacuação, agora parte do protocolo da estação”, afirmou.
ISS perto do fim do ciclo operacional
Embora o laboratório orbital siga funcional, os parceiros internacionais planeiam desativá-lo após 2030. O plano atual é conduzir uma reentrada controlada que leve o complexo a desintegrar-se sobre o Ponto Nemo, área remota do Pacífico usada como cemitério de naves espaciais. Até lá, a estação continuará a servir como plataforma de ensaio para missões de longo curso à Lua e a Marte.
Após a bem-sucedida recuperação da Crew-11, a NASA reforçou que revisará procedimentos médicos para voos de longa duração, visando apoiar futuras expedições do programa Artemis e iniciativas comerciais em órbita baixa.





