Morte do cão Orelha leva manifestantes às ruas de várias capitais brasileiras

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Atos simultâneos em São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis e outras cidades mobilizaram centenas de pessoas neste domingo (1º) após a morte do cachorro Orelha. A principal reivindicação dos manifestantes é a responsabilização dos adolescentes suspeitos de torturar o animal e a adoção de medidas mais severas contra maus-tratos.

Protesto reúne ativistas, políticos e artistas na Avenida Paulista

Na capital paulista, o ato concentrou-se diante do Museu de Arte de São Paulo (Masp) pouco antes das 10h. Meia hora depois, o grupo iniciou uma caminhada pela Avenida Paulista. Muitos participantes levaram seus próprios cães e carregaram cartazes com frases como “Justiça por Orelha” e “Lugar de assassino não é na Disney”.

Entre os presentes estavam parlamentares, defensores de direitos dos animais e figuras públicas. A primeira-dama de São Paulo, Regina Nunes, compareceu e divulgou imagens nas redes sociais com a mensagem de que pretende “dar voz” aos animais. A ativista Luisa Mell, conhecida por ações de resgate, também participou.

Além de exigir punição para os envolvidos, parte dos manifestantes defendeu a redução da maioridade penal, atualmente fixada em 18 anos. Os dois adolescentes suspeitos de maltratar o cão estavam nos Estados Unidos e retornaram ao país durante a semana.

Ato no Rio começa no Aterro do Flamengo e segue para Copacabana

No Rio de Janeiro, a concentração ocorreu às 10h em frente ao Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, na Glória. À tarde, outro protesto teve início às 16h no Posto 2 de Copacabana, com caminhada prevista até o Leme. A atriz Heloisa Perissé usou as redes sociais no sábado para convocar a população, afirmando que o caso “é só a ponta de um iceberg” de violência contra animais.

Florianópolis lembra local da morte e pede investigação ampla

Em Florianópolis, cidade onde Orelha foi encontrado morto, manifestantes reuniram-se no trapiche da Avenida Beira-Mar Norte. Vídeos publicados nas redes sociais mostraram o grupo entoando em coro a frase “justiça por Orelha”. Moradores da região pediram apuração detalhada e medidas de prevenção a novos casos.

Casos similares em investigação

Pelo menos cinco episódios de violência contra cães foram registrados recentemente em Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. A Polícia Civil investiga se adolescentes envolvidos nesses incidentes agiam motivados por grupos virtuais que estariam incentivando a tortura de animais.

Delegados ouvidos confirmaram que estão a recolher indícios de ligações entre os suspeitos e fóruns online. Segundo as autoridades, mensagens obtidas em celulares apontam a existência de desafios que promovem a crueldade como forma de obter notoriedade em redes sociais.

Reivindicações incluem mudanças legais

Os manifestantes pedem penas mais duras para maus-tratos e discutem propostas que incluem:

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• aumento do tempo máximo de reclusão previsto pela Lei de Crimes Ambientais;
• criação de delegacias especializadas em proteção animal;
• inclusão obrigatória de educação sobre bem-estar animal no currículo escolar.

Apesar da presença de políticos, nenhuma autoridade federal participou oficialmente dos atos. Entidades de defesa animal afirmam que pretendem entregar um documento ao Congresso nas próximas semanas com sugestões de alterações legislativas.

Contexto do caso Orelha

Orelha foi encontrado morto em Florianópolis no final de setembro, com sinais de agressão e possíveis queimaduras. Testemunhas relataram que o cão teria sido atraído pelos suspeitos para um terreno baldio, onde sofreu tortura. Laudos periciais ainda não foram divulgados.

Os adolescentes investigados viajaram para os Estados Unidos logo após o episódio, segundo a polícia. Eles retornaram ao Brasil nesta semana, acompanhados dos pais, e foram ouvidos pela Delegacia de Proteção Animal de Santa Catarina. A apuração corre em sigilo.

Próximos passos

Organizadores dos protestos anunciaram que novas mobilizações devem ocorrer nos dias 7 e 8 de outubro, coincidindo com o Dia Nacional de Luta pelos Direitos dos Animais. Também planeiam uma petição virtual para reunir assinaturas em apoio às mudanças legais.

Até o início da noite deste domingo, não houve registro de confrontos ou detenções relacionados aos atos. A Polícia Militar de São Paulo informou que o protesto na Paulista terminou de forma pacífica por volta das 13h.

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