Rio de Janeiro, 6 de janeiro de 2026 — O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) solicitou a prisão preventiva de João Ricardo Rangel Mendes, ex-diretor executivo da agência de viagens Hurb. O pedido foi protocolado após o órgão constatar que o empresário descumpriu diversas medidas cautelares impostas pela Justiça, entre elas o uso correto de tornozeleira eletrônica e a obrigação de permanecer na cidade sem autorização judicial.
Viagem não autorizada e uso de documento falso
Mendes foi detido em flagrante na segunda-feira (5), no Aeroporto Regional de Jericoacoara, Ceará. De acordo com o MPRJ, ele portava documento de identidade falso e apresentava a tornozeleira eletrônica desligada por falta de bateria. A viagem ao Ceará ocorreu sem comunicação ao juízo responsável, violando a proibição de se ausentar do município do Rio de Janeiro sem prévia autorização.
Na petição entregue nesta terça-feira (6), os promotores afirmam que o deslocamento não informado, aliado ao uso de documento adulterado, demonstra “desrespeito reiterado” às determinações judiciais e indica risco de fuga. Por esses motivos, a Promotoria requereu o restabelecimento da custódia preventiva, medida que havia sido revogada anteriormente em favor de restrições alternativas.
Histórico de prisões e medidas cautelares
O empresário responde a processos por furto qualificado e adulteração de identificação de veículo. Segundo denúncia apresentada em maio de 2025, os crimes ocorreram em 25 de abril do mesmo ano, em hotéis e escritórios localizados na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense.
Na ocasião, Mendes teria se passado por entregador de aplicativo para retirar uma obra de arte do Hotel Hyatt, escondendo o quadro numa bolsa térmica. No mesmo dia, apresentou-se como eletricista em um escritório de arquitetura instalado no Casa Shopping, de onde teriam sido levados outros quadros, uma mesa digitalizadora, duas carteiras com dinheiro e um iPad.
Preso em flagrante, ele permaneceu em regime fechado até a Justiça converter a detenção em medidas cautelares. Entre as condições fixadas estavam:
- monitoramento eletrônico com tornozeleira;
- proibição de ausentar-se do município sem autorização judicial;
- apresentação mensal de relatórios médicos ao processo.
Conforme o MPRJ, desde setembro de 2025 não há qualquer relatório médico anexado aos autos, o que constitui novo descumprimento. A Promotoria alega que a soma de infrações demonstra incapacidade do investigado de cumprir compromissos impostos pela Justiça.
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Argumentos do Ministério Público
No pedido de prisão preventiva, o órgão ministerial sustenta que o comportamento do réu compromete a aplicação da lei penal, a ordem pública e a credibilidade das decisões judiciais. O MPRJ aponta ainda que o uso de documento falso indica intenção de dificultar eventual fiscalização.
Para os promotores, a reincidência no descumprimento agrava o risco de novas infrações. O documento encaminhado ao Juízo ressalta que a tornozeleira descarregada impede qualquer monitoramento efetivo, transformando a medida alternativa em “mero faz-de-conta”.
Status do processo
O pedido de prisão preventiva aguarda decisão do Judiciário. Até o momento, não houve manifestação da defesa de João Ricardo Rangel Mendes sobre a nova solicitação do Ministério Público. Caso o requerimento seja deferido, o ex-CEO poderá retornar ao sistema prisional enquanto responde às acusações.
A agência Hurb, antiga Hotel Urbano, não divulgou nota referente ao episódio. A empresa já havia informado, em ocasiões anteriores, que Mendes não exerce qualquer função na organização desde sua saída do cargo de diretor executivo.
O processo criminal segue tramitando na comarca do Rio de Janeiro. Se condenado pelos crimes de furto qualificado e adulteração de sinal identificador de veículo, o réu pode receber penas que, somadas, ultrapassam dez anos de reclusão, além de multas previstas na legislação penal.





