Advogados de Elon Musk solicitaram a um tribunal federal dos Estados Unidos que impeça a OpenAI de obter documentos da Meta Platforms relacionados a uma proposta de US$ 97,4 bilhões pelos ativos da própria OpenAI. O pedido foi apresentado num processo que opõe Musk à empresa responsável pelo ChatGPT e insere-se na fase inicial de coleta de provas.
Disputa sobre acesso a informações
A OpenAI requereu recentemente que o juiz ordenasse à Meta a apresentação de e-mails, memorandos e outras comunicações envolvendo qualquer oferta de aquisição da startup de inteligência artificial. A empresa liderada por Sam Altman argumenta que esses documentos podem esclarecer detalhes sobre uma tentativa de compra atribuída a Musk e a sua nova companhia de IA, a xAI.
Em resposta, a Meta afirmou que não deveria fornecer as informações solicitadas, sustentando que a OpenAI deve buscar diretamente Musk e a xAI. A multinacional de redes sociais alegou ainda que não é parte central do litígio e que o pedido de produção de provas extrapola o necessário para esta fase processual.
Posições antagônicas das partes
Num documento protocolado na terça-feira, a equipe jurídica de Musk declarou que a OpenAI já recebeu dados suficientes sobre a oferta bilionária apresentada por ele e pela xAI. Os advogados classificaram as novas exigências da contraparte como uma “descoberta expansiva” incompatível com o estágio atual do processo.
A defesa acrescentou que os itens requisitados pela OpenAI são “irrelevantes” neste momento e poderiam prolongar o litígio de forma desnecessária. Segundo o pleito, impedir o acesso aos arquivos da Meta evitaria atrasos e reduziria custos judiciais.
Argumentos da OpenAI
Altman e os advogados da OpenAI contestaram a versão de Musk. Em petição separada, afirmaram que as solicitações de prova são restritas, abrangendo “semanas, não anos”, e que a obtenção dos documentos é fundamental para esclarecer a extensão da proposta feita no início deste ano.
A OpenAI sustenta que Musk teria tentado incluir Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, na oferta avaliada em cerca de US$ 97 bilhões. O suposto convite, contudo, não foi aceito. Para a companhia de IA, a documentação interna da Meta pode confirmar detalhes dessa abordagem e de eventuais co-investidores.
Os representantes legais da OpenAI também afirmam que Musk justificou a ausência de registros escritos dizendo que as conversas ocorreram principalmente de forma oral. Segundo a empresa, essa explicação reforça a necessidade de depoimentos formais de Musk, de um porta-voz da xAI e de outros participantes da oferta.

Imagem: Tecnologia e Inovação
Próximos passos no processo
O juiz responsável ainda não decidiu se vai ordenar a entrega dos arquivos solicitados. Enquanto isso, as partes trocam argumentos sobre o escopo da chamada discovery, etapa em que cada lado pode exigir evidências do outro para preparar a defesa ou acusação.
O cronograma do tribunal prevê que o julgamento ocorra na primavera de 2026. Até lá, serão analisados múltiplos requerimentos de prova, depoimentos e possíveis acordos parciais. Qualquer decisão sobre a produção de documentos pela Meta pode influenciar o ritmo do processo e a estratégia das partes.
Contexto da disputa
Elon Musk foi cofundador da OpenAI em 2015, mas deixou o conselho de administração em 2018. Desde então, tornou-se crítico da trajetória da empresa, particularmente após o lançamento do ChatGPT e a adoção de um modelo de negócios que, segundo ele, contrariaria o objetivo original de pesquisa aberta e sem fins lucrativos.
Em paralelo, Musk lançou em 2023 a xAI, startup que busca desenvolver sistemas de inteligência artificial “amigáveis à humanidade” e concorrentes diretos dos produtos da OpenAI. A disputa judicial atual gira em torno de alegações de que Musk tentou adquirir ou influenciar o controle da OpenAI por meio da oferta bilionária citada no processo.
Embora o teor completo da proposta não tenha sido divulgado publicamente, o valor de US$ 97,4 bilhões indica o alto interesse de investidores no mercado de IA generativa. A Meta, por sua vez, investe pesadamente em modelos de linguagem e computação avançada, o que justifica a relevância de qualquer diálogo entre Musk e Zuckerberg sobre a aquisição de ativos estratégicos.
Nos próximos meses, o tribunal deverá avaliar se a OpenAI poderá acessar os documentos da Meta e se depoimentos adicionais serão agendados. As decisões sobre essas questões podem definir a amplitude das provas disponíveis e influenciar o resultado final da disputa marcada para 2026.