NASA antecipa retorno da missão Crew-11 após diagnóstico médico

Os quatro astronautas da missão Crew-11 iniciaram o trajeto de volta à Terra na noite de quarta-feira (14) a bordo da cápsula Dragon, da SpaceX, depois de a NASA decidir antecipar o fim da estadia na Estação Espacial Internacional (ISS) devido a um problema de saúde com um dos tripulantes. O desacoplamento ocorreu pouco depois das 19h20 (horário de Brasília). O pouso está previsto para cerca de 5h40 desta quinta-feira (15).

Decisão inédita motivada por saúde

É a primeira vez que a agência espacial norte-americana antecipa a conclusão de uma missão de longa duração na ISS por razões médicas. A condição do astronauta afetado não foi detalhada, de acordo com o protocolo de confidencialidade da NASA. Autoridades afirmam que o estado de saúde permanece estável, mas consideraram que os recursos médicos disponíveis na estação não seriam suficientes para uma avaliação completa.

Segundo James Polk, chefe da divisão de saúde espacial da NASA, “há riscos em manter o astronauta a bordo, e a prioridade é a segurança e o bem-estar da tripulação”. A condição identificada não estaria relacionada às atividades de rotina executadas na estação.

Tripulação e cronograma original

A Crew-11 é formada pelos norte-americanos Zena Cardman e Mike Fincke, da NASA; pelo japonês Kimiya Yui, da agência JAXA; e pelo russo Oleg Platonov, da Roscosmos. O grupo chegou à ISS em agosto de 2025 com previsão de permanecer até maio deste ano, totalizando cerca de nove meses em órbita.

O regresso antecipado exige uma série de procedimentos automáticos executados pela cápsula Dragon, que não depende de intervenção humana para se afastar da estação, ajustar sua órbita e iniciar a reentrada. A bordo, os astronautas monitoram sistemas e preparam-se para o impacto da desaceleração e da reentrada na atmosfera.

Impacto nas operações da ISS

Após a partida da Crew-11, o comando operacional da estação ficará temporariamente sob responsabilidade do cosmonauta Sergei Kud-Sverchkov. Permanecem a bordo também Sergei Mikaev, da Rússia, e Chris Williams, da NASA. Uma caminhada espacial de mais de seis horas, que seria realizada por Fincke e Cardman na semana passada, já havia sido cancelada em função do mesmo problema médico.

Mesmo com pessoal treinado para primeiros socorros e com equipamentos básicos, a ISS não dispõe de infraestrutura médica equivalente a centros hospitalares em solo. A opção pelo retorno visa evitar complicações caso a condição do astronauta exija intervenção médica que não possa ser realizada em órbita.

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Imagem: Internet

Próxima missão será adiantada

A NASA trabalha para acelerar o lançamento da missão Crew-12, originalmente marcado para 15 de fevereiro. O novo grupo terá quatro integrantes: Jessica Meir e Jack Hathaway, da NASA; Sophie Adenot, da Agência Espacial Europeia (ESA); e Andrey Fedyaev, da Roscosmos. O plano de voo prevê permanência de nove meses na ISS, mas o calendário pode sofrer ajustes para reduzir o período de ocupação mínima da estação.

Procedimentos de reentrada e pouso

Durante o retorno, a cápsula Dragon executa queimas de motor para abandonar a órbita da ISS, seguida por uma fase de reentrada controlada. O escudo térmico da nave garante a dissipação do calor gerado pela fricção com a atmosfera. Após a abertura dos paraquedas principais, a cápsula deverá amarar no oceano Atlântico ou no Golfo do México, em área previamente designada e monitorada por equipes de resgate.

Navios de apoio da SpaceX estarão posicionados para recolher a cápsula e transportar a tripulação para instalações médicas em terra firme, onde o astronauta afetado receberá avaliação detalhada. Os demais tripulantes passarão por exames de rotina que medem sinais vitais, adaptação gravitacional e eventuais alterações fisiológicas resultantes da estadia prolongada em microgravidade.

Treinamento e suporte médico em órbita

Os membros de missões tripuladas recebem formação em cuidados médicos básicos antes do lançamento, incluindo utilização de desfibriladores, aplicação de medicamentos e procedimentos de emergência. Alguns astronautas possuem formação avançada em medicina; no entanto, a quantidade de equipamentos na ISS é limitada a ultrassons portáteis, kits de sutura e remédios de uso geral. Situações complexas, como cirurgias ou diagnósticos detalhados, exigem retorno imediato.

A antecipação do pouso da Crew-11 reforça a importância de protocolos de contingência para emergências médicas em voos de longa duração, um tema que ganha relevância diante de projetos para missões a Marte e permanências mais longas na Lua.

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