Ex-negociadora de sequestros revela 3 técnicas para lidar com crianças sem conflitos

Educação e Tecnologia

Três décadas no serviço policial de Londres e uma década dedicada à negociação de crises deram a Nicky Perfect um repertório de técnicas de comunicação sob pressão. Hoje, a ex-negociadora adapta esses mesmos métodos para o ambiente doméstico, indicando formas de reduzir tensões entre pais e filhos e de estimular a cooperação sem recorrer a ordens rígidas ou discussões prolongadas.

Da unidade de crises à sala de estar

Nicky Perfect integrou a Polícia Metropolitana de Londres por mais de 30 anos, dez deles como negociadora internacional de sequestros na unidade de elite da New Scotland Yard. No período, lidou com situações em que cada palavra podia determinar o desfecho de um resgate. Ao abandonar a rotina de emergências, percebeu que algumas das ferramentas usadas para convencer criminosos ou acalmar reféns também se aplicavam ao convívio familiar, em especial na relação com crianças que testam limites ou resistem a regras diárias.

De acordo com Perfect, a chave está em oferecer opções, controlar a própria reação e considerar o ponto de vista da outra pessoa. A seguir, as três técnicas destacadas pela especialista.

Três estratégias para evitar atritos com crianças

1. “Escolha sem escolha”

Crianças tendem a opor-se a comandos diretos porque buscam autonomia. Para contornar a resistência, a técnica sugere reformular a situação e apresentar duas alternativas que levam ao mesmo resultado. Perguntar se a criança deseja vestir o casaco dentro de casa ou ao sair, por exemplo, mantém o objetivo — usar o casaco — mas transfere ao menor a sensação de controle. O mesmo vale para a alimentação: em vez de ordenar “coma verduras”, oferecem-se duas opções específicas, como couve ou brócolis. A estratégia não elimina todas as recusas, mas reduz a probabilidade de confronto imediato.

2. Esperar 90 segundos antes de responder

Em contextos de alta tensão, negociadores treinam para conter impulsos e impedir que a emoção sobreponha a lógica. Perfect recomenda aplicar o mesmo princípio em casa: aguardar um minuto e meio antes de reagir a um comportamento desafiador. O intervalo permite que a atividade química responsável pela reação emocional diminua, abrindo espaço para uma resposta mais racional.

A ex-negociadora cita o conselho de um agente do FBI que conheceu durante a carreira: “Você não consegue mudar pessoas; pode apenas escolher como reage”. Segundo ela, até uma simples frase — “Preciso de um momento para pensar” — já quebra o ciclo de irritação. Em episódio pessoal, a especialista recorda o dia em que a enteada anunciou a intenção de passar o Natal com o pai. Embora a notícia fosse frustrante, o tempo de pausa ajudou a aceitar o desejo da jovem e a planejar uma comemoração alternativa em outra data.

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Imagem: Internet

3. Ver o problema pela ótica da criança

Entender o que o outro sente aumenta a chance de persuasão, afirma Perfect. A técnica consiste em imaginar a situação do ponto de vista infantil e justificar a regra com motivos claros. No caso de birras na hora de dormir, a ex-negociadora sugere inserir a informação na conversa desde cedo: “Vamos jantar, assistir à TV e depois é hora de dormir”. Repetir a sequência ao longo da noite cria previsibilidade e diminui a sensação de imposição abrupta, comum quando a brincadeira é interrompida de repente.

Ao reconhecer a frustração da criança — “Sei que você está se divertindo, mas precisamos descansar para amanhã” — o adulto demonstra empatia e reforça a lógica por trás da decisão. Segundo Perfect, honestidade e transparência são mais eficazes do que ordens sem explicação.

Dicas para aplicar as técnicas no dia a dia

Mantenha linguagem simples: frases curtas reduzem margem para mal-entendidos.
Evite promessas vagas: indique consequências claras e cumpra-as.
Pratique a consistência: usar as estratégias de forma esporádica diminui a eficácia.
Observe sinais de stress: se a criança já está cansada ou com fome, ajuste o tom ou adie a conversa.
Reforce comportamentos positivos: elogios específicos aumentam a probabilidade de cooperação futura.

Para Nicky Perfect, as técnicas de negociação não transformam pais em “chefes” inflexíveis, mas em mediadores capazes de conduzir a rotina familiar com menos atrito. Ao oferecer escolhas controladas, esperar antes de reagir e validar sentimentos infantis, o adulto cria um ambiente em que regras e limites são entendidos como parte de um processo de aprendizagem, não como imposições arbitrárias.

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