A Nothing abriu as portas da sua primeira loja própria na Índia, mercado onde a marca de dispositivos eletrónicos regista o maior volume de utilizadores. O espaço de dois andares está localizado em Bengaluru, cidade que concentra parte significativa da comunidade de clientes da empresa.
Experiência de fábrica e portfólio completo
De acordo com a Nothing, a nova loja foi concebida para aproximar o público dos bastidores de produção. Logo na entrada, um “mini-linha de montagem” simula a saída dos produtos após a compra, enquanto máquinas reais exibem testes de resistência a água e de portas USB realizados nos smartphones da marca.
Os visitantes podem manusear e adquirir todos os dispositivos comercializados pela empresa, além de artigos de merchandising. Itens selecionados também podem ser personalizados no local.
O espaço reúne produtos tanto da linha Nothing como da CMF, submarca de posicionamento mais acessível criada no ano passado. Embora partilhem o mesmo teto, as gamas mantêm perfis distintos. Segundo o cofundador e diretor-executivo Carl Pei, os equipamentos Nothing permanecem em segmento de preço superior e direcionado a entusiastas, enquanto a CMF mira o público de massa sem recorrer a simples rebranding de modelos genéricos.
CMF tem base indiana e parceria de produção local
A CMF tem sede administrativa na própria Índia e opera por meio de uma joint venture com a ODM Optiemus, o que facilita logística e adequação de preços ao mercado interno. Essa estrutura, explica Pei, ajuda a acelerar lançamentos e a manter controle de qualidade em produtos de valor mais agressivo.
Índia já representa mais de 2 % do mercado para a Nothing
Dados da consultoria IDC indicam que a fabricante britânica encerrou 2025 com mais de 2 % de participação no segmento de smartphones no país. No segundo trimestre do mesmo ano, a Nothing foi apontada como a marca que mais cresceu em remessas, com alta anual de 85 %.
O desempenho expressivo reforçou a decisão de implantar uma presença física no país. Além de funcionar como vitrine tecnológica, a loja pretende servir de centro de feedback direto, elemento considerado estratégico pela liderança da companhia.
Imagem: Internet
Concorrência internacional intensifica presença no varejo indiano
Grandes nomes do setor têm adotado estratégia semelhante. A Apple, por exemplo, anunciou a abertura da sua sexta unidade no território indiano ainda este mês, no bairro de Borivali, em Mumbai. O movimento confirma a atratividade do país para marcas orientadas à experiência de consumo em lojas conceito.
Próximos passos incluem Tóquio e Nova Iorque
O ponto de venda em Bengaluru é o primeiro fora de Londres, onde a Nothing mantém a sede global. A empresa planeia inaugurar outras duas lojas, uma em Tóquio e outra em Nova Iorque, embora ainda não tenha divulgado datas específicas.
Financiamento reforça planos de expansão
A Nothing levantou 200 milhões de dólares em ronda de financiamento Série C, que avaliou a companhia em 1,3 mil milhão de dólares. O aporte, liderado pela Tiger Global com participação de GV, Highland Europe, EQT, Latitude, I2BF e Tapestry, elevou o total captado para 450 milhões de dólares desde a fundação.
Os recursos sustentam a ampliação de portfólio, avanços em pesquisa e desenvolvimento e a implementação de lojas emblemáticas em regiões-chave. Segundo a direção, a estratégia física complementa o ecossistema digital e fortalece o envolvimento da comunidade de utilizadores, central na filosofia da marca.
Com a inauguração em Bengaluru, a Nothing passa a oferecer um ponto de contacto direto para consumidores, consolidando sua presença no maior mercado para a empresa e estabelecendo base para futuras expansões internacionais.






