A Nvidia informou que não exige pagamento antecipado para o processador H200, componente voltado a aplicações de inteligência artificial e data centers. A posição foi comunicada em nota enviada à Reuters nesta terça-feira, depois de uma reportagem publicada em 8 de janeiro sugerir a adoção de condições financeiras incomuns para compradores na China.
Ponto central do comunicado
De acordo com a empresa norte-americana, “a Nvidia nunca requer que clientes paguem por produtos que não recebam”. A declaração busca afastar a percepção de que a companhia esteja a transferir riscos comerciais para os compradores, sobretudo num momento em que as exportações de semicondutores de alto desempenho para o mercado chinês enfrentam incertezas regulatórias.
O esclarecimento surge num contexto em que fontes ligadas às negociações relatavam termos mais rígidos para o H200. Segundo uma pessoa ouvida pela Reuters, contratos anteriores com clientes chineses já previam pagamento adiantado, mas havia margem para substituí-lo por um depósito parcial. No caso específico do novo chip, a Nvidia teria intensificado a exigência do valor integral antes do envio, justamente porque não havia garantia de aprovação alfandegária por parte de Pequim.
Tensão regulatória condiciona negócios
Os chips H200 sucedem a família H100 e são projetados para acelerar modelos de inteligência artificial em larga escala. A procura é alta, mas o produto encontra barreiras decorrentes de restrições impostas pelos Estados Unidos sobre a venda de tecnologias avançadas à China. Sem a confirmação de licenças de exportação, vários clientes naquela região correm o risco de investir capital sem a certeza de receber o hardware ou de implantá-lo nos seus centros de dados.
Esse cenário levou fornecedores a rever estratégias de cobrança. Caso o pagamento integral fosse mantido, o prejuízo potencial passaria do fabricante para o comprador, que ficaria exposto a decisões governamentais imprevisíveis. A Nvidia sublinha que essa não é a política vigente e reafirma que “honra os compromissos assumidos” apenas quando a mercadoria está pronta para embarque e dentro das regras comerciais aplicáveis.
Histórico das negociações
A controvérsia começou em 8 de janeiro, quando a Reuters relatou conversas com distribuidores chineses indicando a inclusão de cláusulas incomuns nos contratos para o H200. O relato citava a necessidade de abatimento completo antes da entrega, algo que não se estendia ao H100 ou a outras gerações. A publicação descreveu a prática como medida para proteger a Nvidia de possíveis bloqueios, transferindo o risco financeiro aos clientes.
Quatro dias depois, a empresa decidiu responder publicamente. O porta-voz não detalhou quais ajustes contratuais foram negociados com cada parceiro, mas reiterou que “os processos comerciais da Nvidia seguem padrões globais de mercado”. A nota também frisa que qualquer acordo permanece sujeito à legislação de exportação dos Estados Unidos, incluindo eventuais licenças exigidas pelo Departamento de Comércio.
Imagem: Internet
Impacto para clientes e fornecedores
Do ponto de vista dos compradores chineses, a ausência de cobrança antecipada reduz a exposição financeira. Contudo, permanece o desafio de obter aprovação regulatória a tempo de acompanhar a corrida por capacidade de processamento em IA. Empresas de internet, instituições de pesquisa e startups dependem desses chips para treinar modelos de linguagem e visão computacional competitivos.
Para a Nvidia, o esclarecimento evita interpretações de que a companhia privilegia receitas imediatas em detrimento de relações comerciais de longo prazo. Embora a procura global por aceleradores de IA esteja em alta, o mercado chinês continua relevante: estimativas de analistas apontam que até 20% da receita de data center da empresa provenha de clientes vinculados ao país asiático.
Próximos passos
A fabricante não divulgou um cronograma específico de entregas do H200 para a China ou outros territórios sujeitos a licenças. O chip deverá chegar aos primeiros clientes internacionais ainda em 2024, conforme comunicado anterior da Nvidia, mas cada remessa dependerá da aprovação dos reguladores dos Estados Unidos e do país de destino.
Enquanto isso, distribuidores e integradores seguem a negociar versões adaptadas do H100 que atendam aos limites de desempenho impostos pelo governo norte-americano. Essas variantes permitem manter alguma presença no mercado chinês, embora com menor capacidade de cálculo em comparação ao H200.
Com a nota divulgada nesta semana, a Nvidia procura reforçar a mensagem de que segue aberta a negócios no país asiático, desde que respeitadas as normas de exportação. O posicionamento pode influenciar futuros contratos não só na China, mas também em outras regiões onde barreiras regulatórias ou geopolíticas afetem a oferta de semicondutores avançados.





