A OpenAI iniciou oficialmente as suas operações presenciais no Brasil com a abertura de um escritório em São Paulo. A medida encerra o período em que a empresa mantinha apenas dois colaboradores atuando remotamente no País. Segundo a companhia, o novo espaço será dedicado a encontros, treinamentos em inteligência artificial (IA) e atividades de integração com startups e desenvolvedores brasileiros.
Estrutura em São Paulo amplia presença local
O endereço exato do escritório e o número de profissionais que atuarão no local ainda não foram divulgados. Em comunicado, o diretor de operações da OpenAI, Brad Lightcap, afirmou que a decisão de estabelecer uma base física foi motivada pelo avanço do ecossistema de IA no Brasil. “Startups estão evoluindo rapidamente e grandes empresas já incorporam essas ferramentas às suas operações. Ter um escritório aqui nos permite estar mais próximos de clientes e parceiros, além de apoiar esse movimento”, declarou.
De acordo com a empresa, o espaço seguirá um formato semelhante ao adotado pelo Google no País, funcionando como ponto de encontro para workshops, treinamentos e iniciativas voltadas ao desenvolvimento de soluções baseadas em IA. A companhia também pretende usar o local para aproximar-se de universidades e organizações que promovem pesquisa na área.
A abertura do escritório ocorre num momento de expansão global da OpenAI, que mantém sedes em regiões consideradas estratégicas para a adoção de tecnologias de linguagem natural. No Brasil, a empresa vê oportunidade de colaborar com setores que envolvem atendimento ao cliente, educação, saúde, serviços financeiros e criação de conteúdo.
ChatGPT soma 50 milhões de usuários mensais
Paralelamente à inauguração do escritório, a OpenAI divulgou novos dados sobre o uso do ChatGPT no País. Segundo a companhia, 50 milhões de usuários interagem mensalmente com a ferramenta, enviando mais de 140 milhões de mensagens por dia. Os números reforçam o Brasil como um dos mercados de maior engajamento para o serviço de inteligência artificial generativa.
Nicolas Andrade, diretor de políticas públicas da OpenAI para a América Latina, atribuiu o crescimento a diferentes perfis de utilização. “Os brasileiros não estão apenas recorrendo às nossas ferramentas; estão também criando a partir delas”, observou, em nota. A empresa destaca casos de uso que incluem geração de códigos, elaboração de textos, suporte educacional e automação de processos internos em empresas de variados portes.
Reflexos na discussão regulatória
A presença física da OpenAI tende a influenciar o debate sobre regulação de IA no Brasil. O Projeto de Lei 2.338, conhecido como Marco da IA, está atualmente em análise na Câmara dos Deputados, após aprovação no Senado em dezembro de 2024. O texto busca estabelecer parâmetros para transparência, responsabilidade e governança de sistemas inteligentes.

Imagem: Tecnologia e Inovação
No início de março, Andrade declarou que a discussão de direitos autorais não deveria ser priorizada no processo regulatório. A posição foi criticada por entidades do setor cultural e ganhou relevância após o jornal Folha de S.Paulo ingressar com ação judicial contra a companhia, alegando uso não autorizado de conteúdo protegido. O caso adiciona complexidade ao debate legislativo, que envolve também questões de privacidade, proteção de dados e impactos no mercado de trabalho.
Especialistas em direito digital avaliam que a abertura do escritório poderá intensificar o diálogo entre a empresa e órgãos governamentais. A proximidade geográfica facilita a participação em audiências públicas, reuniões técnicas e programas de autorregulação setorial. A OpenAI, por sua vez, afirma estar disposta a colaborar com autoridades e com a sociedade civil para promover “o desenvolvimento seguro e amplo de tecnologias de IA”.
Próximos passos da operação
A empresa planeia divulgar, nos próximos meses, detalhes sobre o quadro de funcionários e as frentes de atuação do escritório paulistano. A expectativa é de que áreas como relacionamento com clientes, suporte a desenvolvedores e programas educacionais sejam priorizadas. Também devem ser lançados eventos periódicos para fomentar a troca de conhecimento entre profissionais de IA, investidores e representantes de setores tradicionais.
Enquanto isso, a OpenAI continua a expandir o portfólio de produtos, oferecendo APIs que permitem integrar o modelo GPT a aplicações de terceiros e serviços corporativos. O mercado brasileiro, segundo analistas, representa uma oportunidade relevante para a adoção de soluções voltadas à automação de atendimento, análise de dados e criação de conteúdo em escala.
Com o novo escritório, a companhia fundada por Sam Altman dá um passo adicional na estratégia de consolidar parcerias regionais, atender demandas locais e participar mais ativamente do debate sobre o futuro da inteligência artificial no Brasil.