A OpenAI reforçou a sua estratégia internacional ao anunciar a ampliação da iniciativa OpenAI for Countries, programa que incentiva governos a adotar inteligência artificial em setores essenciais e a construir novos centros de dados. O movimento, apresentado a autoridades durante o Fórum Económico Mundial, em Davos, pretende equilibrar o acesso à tecnologia entre nações com diferentes níveis de maturidade digital.
Programa já envolve 11 governos
Lançado em fase piloto no ano passado, o OpenAI for Countries conta atualmente com 11 países parceiros. Cada acordo é desenhado caso a caso, conforme as necessidades locais:
• Estónia – O governo integra o ChatGPT Edu no currículo de escolas secundárias, com o objetivo de apoiar professores e alunos em tarefas de pesquisa, escrita e aprendizagem personalizada.
• Noruega e Emirados Árabes Unidos – A OpenAI colabora com empresas nacionais para erguer centros de dados e atuará como primeiro cliente, garantindo demanda inicial e incentivo econômico ao projeto.
• Coreia do Sul – Em negociação, a empresa pretende desenvolver, com a autoridade de recursos hídricos, um sistema em tempo real de alerta e defesa contra desastres hídricos relacionados às mudanças climáticas.
Segundo a OpenAI, outros acordos incluem aplicações em saúde, planeamento urbano e modernização de serviços públicos. Detalhes financeiros não foram divulgados.
Liderança e objetivos da iniciativa
A coordenação global do programa está a cargo de George Osborne, ex-ministro das Finanças do Reino Unido, nomeado em dezembro para liderar a expansão geográfica da empresa. Osborne atua ao lado de Chris Lehane, diretor de assuntos globais da OpenAI, responsável por negociações institucionais e políticas de tecnologia.
Em comunicado, a companhia afirmou que “a maioria dos países ainda opera muito aquém do potencial oferecido pelos sistemas atuais de IA”. Com o novo esforço, a meta é:
• Aumentar a adoção de ferramentas de IA em educação, saúde e gestão de riscos;
• Reduzir o fosso tecnológico entre economias desenvolvidas e emergentes;
• Estimular investimentos locais em infraestrutura de dados, reduzindo a latência no acesso à nuvem e reforçando a soberania digital.
Contexto empresarial
O programa faz parte de uma estratégia mais ampla que consolidou a OpenAI, criadora do ChatGPT, como uma das empresas mais valorizadas do setor. Avaliada recentemente em cerca de 500 mil milhões de dólares, a organização estuda uma oferta pública de ações que poderá elevar o valor de mercado para 1 bilião de dólares, segundo informações internas mencionadas pela Reuters.
O crescimento rápido da companhia tem pressionado a infraestrutura existente. A construção de novos centros de dados em parceria com governos procura responder ao aumento da procura por serviços baseados em modelos de linguagem, visão computacional e sistemas multimodais, além de reduzir dependências de servidores instalados nos Estados Unidos.
Imagem: Internet
Aplicações práticas e próximos passos
Nos encontros de Davos, executivos destacaram casos de uso que vão além de chatbots. Entre as possibilidades apontadas, estão:
• Planejamento de resposta a desastres – Sistemas preditivos podem apoiar autoridades na avaliação de riscos e na mobilização de recursos antes de eventos climáticos extremos.
• Capacitação de servidores públicos – Plataformas de IA podem automatizar tarefas administrativas e ampliar a eficiência de ministérios e agências.
• Pesquisa médica avançada – Modelos de linguagem auxiliam na análise de grandes bases de dados clínicos, acelerando descobertas em doenças raras.
A empresa projeta firmar novos acordos ao longo de 2024, mas não confirmou metas de adesão. Equipes regionais vão mapear oportunidades em América Latina, África e Sudeste Asiático, regiões onde a infraestrutura tecnológica é considerada insuficiente.
Reação e desafios
Governos que aderem ao programa apontam benefícios como transferência de conhecimento, formação de quadros técnicos e atração de investimento estrangeiro. Contudo, especialistas alertam para desafios ligados a privacidade, segurança de dados e dependência de tecnologia externa. A OpenAI afirma que os contratos incluem cláusulas de proteção de informações sensíveis e mecanismos de auditoria.
Mesmo sem revelar valores de investimento, a companhia sublinha que atuará como usuária âncora dos centros de dados, garantindo receita inicial e viabilidade financeira. O modelo, argumenta, acelera a execução de projetos que seriam inviáveis apenas com capital público.
Com a expansão do OpenAI for Countries, a empresa reforça a estratégia de internacionalização e tenta estabelecer padrões para implantação de IA em escala governamental. A forma como cada país equilibra inovação, regulação e soberania digital será decisiva para o sucesso do programa nos próximos anos.





