A disputa pelo futuro da Warner Bros Discovery registrou novo avanço nesta segunda-feira, 12 de janeiro, quando a Paramount Skydance ingressou com uma ação judicial para ter acesso a informações completas sobre o acordo estimado em US$ 82,7 bilhões firmado entre a Warner e a Netflix. A medida amplia a competição pela posse de um dos estúdios mais tradicionais de Hollywood e coloca pressão direta sobre o conselho de administração da Warner.
Oferta hostil e novos nomes para o conselho
Liderada por David Ellison, a Paramount vem tentando convencer os acionistas da Warner Bros Discovery de que sua proposta, avaliada em US$ 30 por ação e totalmente em dinheiro, oferece mais segurança do que a combinação de dinheiro e ações de US$ 27,75 apresentada pela Netflix. Como parte da estratégia, a Paramount planeja indicar novos membros para o conselho da Warner, numa das iniciativas mais agressivas desde o início da disputa.
Em carta enviada aos investidores, a Paramount também comunicou a intenção de propor uma alteração no estatuto da Warner que obrigue a obtenção de voto favorável dos acionistas antes de qualquer separação do negócio de TV por assinatura da empresa. Essa divisão dos ativos de cabo é considerada fundamental para que o acordo com a Netflix avance.
Argumentos financeiros e apoio de Larry Ellison
Na semana anterior ao processo, a Paramount reiterou uma oferta aumentada de US$ 108,4 bilhões após rejeição inicial do conselho da Warner. O pacote inclui US$ 40 bilhões em ações garantidas pessoalmente por Larry Ellison — cofundador da Oracle e pai de David Ellison — além de US$ 54 bilhões em dívidas. A empresa argumenta que a transação integral, em dinheiro, enfrenta menos obstáculos regulatórios e traz mais certeza de fechamento do que a proposta que envolve apenas estúdios e streaming negociada com a Netflix.
A performance considerada fraca da Versant, rede de TV a cabo separada da Comcast, vem sendo usada pela Paramount como exemplo dos riscos de esvaziar ativos de cabo dentro de um conglomerado de mídia. Segundo a Paramount, a cisão da vertical de TV a cabo da Warner teria valor “praticamente nulo”, reforçando a tese de que a compra de todo o grupo seria mais vantajosa.
Biblioteca de conteúdos e interesse estratégico
O objeto de disputa inclui uma das bibliotecas mais valiosas do entretenimento mundial, com franquias como “Harry Potter”, além dos personagens da DC Comics, entre eles Super-Homem e Batman. O controle sobre esses conteúdos é visto como crucial num cenário em que serviços de streaming competem por subscritores e propriedade intelectual exclusiva.
Imagem: Tecnologia e Inovação
Próximos passos e prazo para a proposta
Representantes da Netflix e da Warner Bros Discovery não comentaram publicamente o processo movido pela Paramount. A oferta hostil apresentada pela Paramount expira em 21 de janeiro, embora a empresa tenha a opção de prorrogar esse prazo.
Enquanto não houver acordo definitivo, a decisão deve ficar a cargo dos acionistas da Warner Bros Discovery. Caso o conselho recuse sucessivamente as condições propostas pela Paramount, a votação na assembleia geral pode tornar-se o momento decisivo para definir qual dos dois lances prevalecerá.
Com a nova ação judicial, a Paramount pretende obter documentos que esclareçam detalhes financeiros e operacionais do acordo com a Netflix, na tentativa de comprovar que sua oferta em dinheiro é mais vantajosa. A empresa sustenta que, até o momento, a Warner não apresentou evidências de que a proposta da Netflix seja superior do ponto de vista financeiro.
O desfecho dessa disputa deve impactar não apenas os estúdios e serviços de streaming envolvidos, mas também o panorama competitivo da indústria de entretenimento, que passa por rápida consolidação em torno de conteúdos exclusivos e escalabilidade global.





