Uma equipa do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (KAIST) apresentou um projeto de OLED que mais que duplica a emissão de luz sem alterar a característica superfície plana das telas. O avanço, divulgado em 13 de janeiro de 2026, procura resolver perdas internas superiores a 80% que ainda limitam o brilho nos painéis atuais.
Estratégia foca na extração de luz por píxel
O problema central dos OLEDs está nas várias camadas de filmes orgânicos ultrafinos que compõem cada píxel. À medida que a luz atravessa essas camadas, parte significativa é refletida ou absorvida, transformando-se em calor. Para contornar essa perda, o grupo liderado por MinJae Kim combinou duas soluções: uma nova estrutura de extração de luz e um redesenho do emissor adaptado ao tamanho real de cada píxel.
Estruturas comuns de extração, como lentes hemisféricas, aumentam o aproveitamento da luz mas criam elevado relevo na superfície. Já matrizes de microlentes preservam a planura, porém exigem área maior do que a de um píxel típico para atingir eficiência satisfatória, o que prejudica a precisão e interfere em píxeis vizinhos.
A proposta do KAIST mantém a espessura comparável à de microlentes, mas atinge desempenho próximo ao das lentes hemisféricas. O design considera os limites físicos de cada píxel individual em vez de assumir uma extensão infinita do material emissor. Segundo o professor Seunghyup Yoo, isso reduz interferência óptica entre píxeis adjacentes e maximiza a extração de luz no espaço disponível.
Resultados dobram eficiência e direcionam luz frontal
Testes de laboratório indicaram que a combinação das duas abordagens elevou a eficiência de emissão a mais do que o dobro em comparação com OLEDs convencionais do mesmo tamanho. A nova estrutura guia a luz principalmente para a direção frontal, minimizando dispersão lateral e mantendo a uniformidade do painel.
Como o aproveitamento da luz interna aumenta, a mesma intensidade luminosa pode ser obtida com menor consumo de energia. Isso tende a prolongar a autonomia de baterias em smartphones, relógios inteligentes e outros dispositivos portáteis que utilizam telas OLED.
Impacto no aquecimento e na vida útil do painel
A redução na quantidade de luz convertida em calor diminui a temperatura de operação do emissor. Temperaturas mais baixas retardam a degradação dos materiais orgânicos, fator diretamente relacionado à vida útil do painel. A equipa prevê, portanto, não apenas telas mais brilhantes, mas também maior durabilidade e estabilidade cromática.
Imagem: Tecnologia & Inovação
A estrutura de extração criada é fina o suficiente para aplicações em painéis flexíveis, segmento que impõe restrições adicionais de espessura e maleabilidade. A compatibilidade com a fabricação atual foi avaliada como alta, pois o método pode ser incorporado no processo de deposição das camadas existentes sem necessidade de equipamentos especiais.
Próximos passos rumo à produção comercial
Os cientistas planejam otimizar a geometria da estrutura para diferentes tamanhos de píxel e realizar testes de ciclo térmico prolongado, condição necessária para demonstrar robustez em cenários de uso real. Estudos de escalabilidade também estão em andamento para validar o rendimento em linhas de produção de grandes volumes.
Se confirmado em escala industrial, o avanço poderá resultar em televisores, monitores e dispositivos móveis capazes de exibir níveis de brilho superiores sem aumento perceptível de espessura ou consumo energético. A indústria acompanha o desenvolvimento em busca de integrar a tecnologia às próximas gerações de painéis.
O trabalho do KAIST reforça a tendência de otimizar a eficiência dos OLEDs por meio de soluções ópticas internas, evitando alterações significativas no design externo. A abordagem centrada em cada píxel pode inaugurar nova fase na engenharia de telas, na qual a performance se eleva sem sacrificar características valorizadas pelo mercado, como perfil fino e flexibilidade.





