Uma moradora de 54 anos de São Valentim, município com pouco mais de 3 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul, tornou-se alvo de investigação após afirmar que se casaria com o ator Brad Pitt. A história começou na noite de 24 de dezembro, quando a Polícia Militar interceptou o automóvel em que ela e o filho de 12 anos aguardavam, nas proximidades do Aeroporto de Erechim, a suposta chegada do astro norte-americano.
Abordagem da polícia no aeroporto
Segundo o relato dos agentes, a mulher explicou que o ator desembarcaria em Erechim para celebrar o matrimônio e passar duas noites em um hotel da cidade. Questionada sobre a autenticidade do contato, respondeu ter realizado várias videochamadas com Pitt, o que, na visão dela, eliminaria qualquer possibilidade de fraude. O momento foi registado em vídeo e rapidamente disseminado nas redes sociais.
Os policiais tentaram confirmar se haveria sinais de estelionato, mas não encontraram evidências imediatas de transferência de valores ou troca de documentos. Ainda assim, orientaram a moradora a procurar a delegacia caso suspeitasse de golpe. Na ocasião, a própria envolvida assegurou que não havia enviado dinheiro nem fornecido dados bancários a terceiros.
Boletim de ocorrência e mudança de versão
Dois dias depois da abordagem, em 5 de janeiro, a mulher registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil. No documento, declarou que a narrativa do casamento não passara de uma brincadeira realizada dentro do carro para “animar” o filho, negando qualquer contato com pessoas que se apresentassem como o ator. Informou ainda não ter sofrido prejuízo financeiro nem ter encaminhado valores a desconhecidos.
O delegado Germano Alves de Lima, responsável pelo caso, afirmou que o inquérito apura se houve ou não tentativa de estelionato. Caso se constate inexistência de golpe, a polícia avaliará se a conduta da mulher caracteriza falso testemunho ou comunicação falsa de crime. “Estamos a recolher informações para confirmar eventuais transações financeiras ou conversas que envolvam pedido de valores”, explicou o delegado.
Golpes com falsas celebridades entram no radar
A ocorrência no interior gaúcho reacendeu o debate sobre fraudes praticadas em nome de artistas internacionais. Em janeiro de 2025, uma francesa transferiu cerca de 830 mil euros (aproximadamente R$ 5 milhões) a criminosos que se faziam passar por Brad Pitt. O grupo utilizou perfis falsos, mensagens de WhatsApp e imagens geradas por inteligência artificial para inventar supostas selfies e solicitações de ajuda. Os golpistas alegaram que o ator necessitava de fundos para um tratamento renal enquanto suas contas estariam bloqueadas por questões judiciais.
Na época, Brad Pitt divulgou nota à revista Variety, lamentando o episódio e advertindo fãs sobre contatos não solicitados nas redes. O artista lembrou que não mantém perfis públicos ativos e que qualquer solicitação de dinheiro em seu nome deve ser considerada suspeita.
Imagem: Internet
Como esses golpes funcionam
Especialistas em segurança digital destacam que esquemas envolvendo personalidades costumam seguir um padrão: inicia-se com uma mensagem privada aparentemente inocente, evolui para conversas frequentes e, por fim, chega o pedido de recursos financeiros. O uso de videochamadas falsificadas, possível com ferramentas de deepfake, tem tornado as fraudes mais convincentes.
A Delegacia de Erechim orienta a população a desconfiar de contatos inesperados de famosos, sobretudo quando há promessa de encontros ou pedidos de dinheiro. Também recomenda não compartilhar informações pessoais e confirmar a veracidade do interlocutor por meios oficiais.
Próximos passos da investigação
O inquérito segue em fase preliminar. A polícia analisa dispositivos eletrónicos da mulher para verificar histórico de chamadas, mensagens e eventuais transações. Se confirmada a inexistência de prejuízo financeiro e ausência de interlocutores mal-intencionados, a investigação poderá ser arquivada ou convertida em apuração por falso testemunho.
Até a conclusão dos trabalhos, a moradora permanece como testemunha e não há indicativo de prisão. A Polícia Civil alerta que denúncias de crimes virtuais podem ser feitas presencialmente ou pela Delegacia Online do Rio Grande do Sul, onde é possível anexar provas digitais como prints de conversas e comprovantes bancários.





