A maior parte das praias mais próximas da capital paulista voltou a ser classificada como imprópria para banho no boletim semanal de balneabilidade da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). O levantamento mais recente indica 24 trechos com restrição ao mergulho entre a Baixada Santista e o Litoral Norte, regiões que recebem milhares de visitantes durante o verão.
Baixada Santista concentra 15 praias interditadas
Segundo a Cetesb, São Vicente, Santos e Praia Grande, municípios localizados a menos de 80 quilómetros da capital, reúnem o maior número de áreas comprometidas pela contaminação da água do mar.
Em São Vicente, três das seis praias monitoradas não atingiram os parâmetros exigidos pelo órgão ambiental. Santos apresenta quatro trechos sem condições de balneabilidade entre os sete avaliados. Já Praia Grande contabiliza cinco pontos classificados como impróprios em um total de 12.
Guarujá, também na Baixada Santista, registra duas praias com restrições, enquanto Itanhaém possui apenas uma. No conjunto, a região soma 15 praias inadequadas, o que representa a maior concentração de trechos interditados em todo o litoral paulista.
Litoral Norte tem nove praias fora do padrão
No Litoral Norte de São Paulo, nove praias não atenderam aos critérios de qualidade estabelecidos. São Sebastião apresenta um ponto impróprio; Caraguatatuba tem dois; Ilhabela, outros três; e Ubatuba reúne os três restantes. O relatório abrange 105 praias verificadas semanalmente nessa faixa do litoral.
Apesar dos resultados negativos em 24 locais, o boletim indica que 151 praias do estado permanecem próprias para banho. A classificação varia de acordo com a análise das últimas cinco semanas de amostras de água.
Como é feita a avaliação da qualidade da água
A Cetesb utiliza a concentração de bactérias do género Enterococcus como principal indicador de contaminação por esgoto. De acordo com o protocolo, uma praia é julgada imprópria quando pelo menos duas das cinco coletas mais recentes apresentam mais de 100 colónias da bactéria por 100 mililitros de água ou quando a última amostra isoladamente supera 400 colónias no mesmo volume.
As coletas ocorrem semanalmente em pontos fixos, a cerca de um metro de profundidade, para garantir comparabilidade entre medições. A presença elevada de Enterococcus está associada ao risco de doenças de pele, diarreias e outras infecções gastrointestinais.
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Impacto do saneamento e do aumento de turistas
O histórico de balneabilidade desfavorável em parte do litoral paulista é atribuído, principalmente, à deficiente infraestrutura de esgotamento sanitário e ao aumento das cargas poluentes durante a alta temporada. No verão, a população flutuante pressiona redes de coleta e sistemas de tratamento, elevando a quantidade de efluentes lançados nos cursos de água que desembocam no mar.
Mesmo em praias classificadas como próprias, a Cetesb recomenda evitar o mergulho nas 24 horas seguintes a chuvas intensas. O órgão alerta ainda para o risco adicional representado por canais, rios e córregos que desaguam na faixa costeira, pois esses corpos hídricos podem receber ligações clandestinas de esgoto.
Cuidados para reduzir riscos à saúde
Autoridades de saúde orientam os banhistas a verificar o boletim de balneabilidade antes de viajar ou escolher pontos de lazer. Crianças, idosos e pessoas com imunidade baixa formam o grupo mais vulnerável a complicações após o contacto com água contaminada. A ingestão acidental ou a exposição prolongada podem resultar em gastroenterites, otites e infecções cutâneas.
Para reduzir a probabilidade de contágio, recomenda-se:
- Evitar áreas sinalizadas como impróprias;
- Manter distância de saídas de rios, galerias pluviais e emissários;
- Tomar banho de água doce após sair do mar;
- Procurar assistência médica ao surgirem sintomas como febre, irritação na pele ou diarreia.
O boletim de balneabilidade é divulgado semanalmente e pode ser consultado no site da Cetesb. O acompanhamento contínuo das condições da água é apontado pelo órgão como instrumento essencial para orientar a população e subsidiar políticas de saneamento destinadas a reverter o quadro de contaminação no litoral paulista.





