O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, conversaram por telefone na tarde desta quinta-feira (8). O diálogo concentrou-se na crise política venezuelana, na defesa do multilateralismo e na agenda bilateral entre Brasil e Canadá. Durante a ligação, Carney aceitou convite para vir ao país em abril, quando serão discutidos temas comerciais e de governança internacional.
Conversa telefônica enfoca crise na Venezuela
Segundo nota do Palácio do Planalto, Lula e Carney trocaram impressões sobre os desdobramentos da recente invasão militar dos Estados Unidos à Venezuela, realizada no sábado (3), que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores. Ambos os líderes condenaram o uso da força sem amparo na Carta das Nações Unidas e reiteraram que qualquer solução para o impasse deve respeitar o direito internacional.
Lula frisou que “o destino da Venezuela deve ser decidido soberanamente por seu povo” e destacou a importância de manter a América do Sul como “zona de paz”. Os dois chefes de governo também convergiram sobre a necessidade de reformar as atuais instituições de governança global, consideradas incapazes de dar respostas eficazes a crises como a vivida no país vizinho.
Visita em abril deve impulsionar acordo Mercosul–Canadá
Durante a chamada, o primeiro-ministro canadense aceitou o convite de Lula para visitar Brasília em abril. A agenda preliminar inclui o avanço num possível acordo comercial entre o Mercosul e o Canadá, negociação que se arrasta há anos e poderá ganhar novo fôlego com o encontro presencial entre os dois líderes.
O encontro também deve abranger cooperação nas áreas de energia limpa, inovação tecnológica e transição ecológica — setores nos quais o Canadá busca ampliar parcerias na América do Sul. O governo brasileiro vê na interlocução uma oportunidade de diversificar mercados de exportação e de atrair investimentos para projetos de infraestrutura sustentável.
Outros contactos regionais no mesmo dia
Mais cedo, Lula falou por telefone com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e com a presidente do México, Claudia Sheinbaum. Nas duas conversas, a crise venezuelana também ocupou lugar central.
Com Sheinbaum, Lula defendeu o multilateralismo e repudiou a intervenção militar norte-americana. Ambos criticaram a divisão do mundo em zonas de influência de grandes potências e discutiram formas de fortalecer mecanismos regionais de diálogo. A líder mexicana foi convidada a visitar o Brasil; a data ainda será definida. O telefone abordou igualmente iniciativas conjuntas para combater a violência contra as mulheres.
Imagem: Últimas Notícias
Postura brasileira prioriza diplomacia e direito internacional
As ligações desta quinta-feira reforçam a estratégia do governo brasileiro de articular uma reação regional unificada à intervenção na Venezuela, baseada em princípios do direito internacional e na solução pacífica de controvérsias. O Planalto tem enfatizado que a América do Sul não deve retornar a cenários de conflito armado nem acolher ações unilaterais que comprometam a estabilidade continental.
A recepção de líderes estrangeiros em Brasília, prevista para abril, poderá servir como plataforma para alinhar posições e definir medidas diplomáticas. O objetivo declarado é contribuir para a libertação de Nicolás Maduro, restaurar a normalidade institucional na Venezuela e evitar escalada militar na região.
Próximos passos
Nos próximos dias, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil deverá detalhar a agenda da visita do primeiro-ministro canadense e iniciar consultas com os demais parceiros do Mercosul sobre o estágio das negociações comerciais. Paralelamente, o governo continuará a procurar respaldo de países latino-americanos e de organismos multilaterais para pressionar por uma solução pacífica na Venezuela.
A confirmação da vinda de Mark Carney sinaliza que Brasília e Ottawa pretendem estreitar relações num momento de desafios globais. A cooperação poderá abranger desde comércio e investimentos até iniciativas conjuntas em fóruns internacionais, reforçando o papel do Brasil como articulador regional e o interesse canadense em ampliar sua presença na América do Sul.





