Procon Carioca dá 24 h para Light explicar apagão de 48 h em Copacabana e Leme

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O Procon Carioca notificou a concessionária Light nesta segunda-feira (5) e concedeu prazo de 24 horas para a empresa detalhar as causas e o plano de recuperação do fornecimento de energia elétrica nos bairros do Leme e de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Moradores das duas regiões enfrentam interrupção no serviço desde as 17h do último sábado (3), período que já supera 48 horas.

Exigências do órgão de defesa do consumidor

A notificação determina que a Light apresente um cronograma de restauração em todas as áreas afetadas, além de um programa de compensação financeira. O Procon solicita:

  • ressarcimento por alimentos perdidos e danos a eletrodomésticos;
  • abatimento proporcional nas próximas faturas;
  • medidas para minimizar os prejuízos enquanto o serviço não é normalizado.

Em caso de descumprimento do prazo, a concessionária poderá ser multada. O secretário municipal de Proteção e Defesa do Consumidor, João Pires, classificou a falha como “grave e reiterada”, lembrando que o fornecimento de energia é serviço essencial e não deve ser interrompido por mais de 48 horas sem justificativa e transparência.

Moradores protestam e relatam prejuízos

Na noite de domingo (4), moradores promoveram um panelaço nas varandas dos prédios, pedindo o restabelecimento imediato da eletricidade. Comerciantes também reportam perdas significativas. Proprietária de uma padaria em Copacabana, Shelley de Botton afirmou que o estabelecimento está fechado desde sábado, com três dias de faturamento comprometidos e produção parada. “Sou fornecedora de pães para restaurantes; não consigo atender nenhum cliente”, relatou.

Em edifícios residenciais, a falta de energia comprometeu elevadores, portões eletrônicos e sistemas de segurança. Síndica do Edifício Copal, Clarice Peixoto informou que os moradores passaram dois dias sem controle de acesso, o que aumentou a sensação de insegurança.

Ação Civil Pública da Defensoria Pública

A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro ingressou, na manhã desta segunda-feira, com Ação Civil Pública para obrigar a Light a restabelecer o serviço. O Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon) acompanha o caso desde domingo, quando recebeu as primeiras denúncias. Inicialmente, a empresa prometeu normalizar o fornecimento até o meio-dia de domingo, prazo que foi adiado para 21h e novamente descumprido.

No pedido judicial, a Defensoria cobra solução imediata ou a instalação de geradores, além de compensação aos usuários. A instituição argumenta que a interrupção prolongada viola o direito fundamental ao serviço público contínuo e eficiente.

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Falta de transparência e investigação das causas

Até o momento, a Light não apresentou explicações claras sobre as origens do apagão. A Polícia Militar informou não ter sido acionada para ocorrências de furto de cabos na região, hipótese aventada por moradores nas redes sociais. O Procon ressalta que a ausência de comunicação adequada agrava os danos, pois impede que a população se prepare ou busque alternativas enquanto o serviço não retorna.

Impactos em serviços essenciais

A concessionária Águas do Rio declarou que o abastecimento de água está normalizado em Copacabana e Leme. Nos morros Chapéu-Mangueira e Babilônia, sistemas de bombeamento voltaram a operar após o retorno parcial da energia. Na Ladeira Ary Barroso, foi instalado gerador temporário para garantir o fornecimento até a situação ser resolvida definitivamente.

Próximos passos

Além da resposta à notificação do Procon, a Light terá de se manifestar no processo judicial movido pela Defensoria Pública. Caso não apresente solução rápida e satisfatória, a empresa poderá enfrentar sanções administrativas e decisões judiciais que imponham multas diárias ou intervenção emergencial.

Enquanto aguardam a normalização, moradores e comerciantes contabilizam prejuízos e cobram transparência. O episódio reacende o debate sobre a segurança da infraestrutura elétrica na capital fluminense e a necessidade de protocolos rígidos para evitar interrupções prolongadas em serviços essenciais.

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