Um ato organizado por estudantes reuniu manifestantes no centro de São Paulo na tarde e início da noite de quarta-feira (14) para contestar o reajuste das tarifas do transporte público na capital e na Região Metropolitana. Apesar da chuva, o grupo caminhou até a sede da prefeitura reivindicando a manutenção do passe livre estudantil e o congelamento do preço das passagens.
Mobilização reforça tradição de início de ano letivo
O protesto integra uma sequência de manifestações que costumam ocorrer sempre que as administrações municipal e estadual anunciam aumento de tarifa. Neste ano, o governo do estado elevou o valor das passagens nos sistemas sobre trilhos, enquanto a prefeitura ajustou o preço do bilhete de ônibus dentro da cidade. Para o movimento estudantil, a medida compromete o orçamento de famílias de baixa renda e dificulta o acesso de jovens à universidade.
“Essa caminhada faz parte da nossa história. Todos os anos ocupamos as ruas para proteger conquistas como o passe livre, essencial para garantir que estudantes permaneçam na sala de aula”, declarou Bianca Borges, representante da União Nacional dos Estudantes, durante o ato. Segundo ela, a gratuidade no transporte permite que alunos frequentem atividades acadêmicas, culturais e de lazer, consideradas parte da formação.
Reivindicações vão além da passagem
Além de exigir a suspensão do reajuste e a preservação do passe livre, participantes levantaram cartazes defendendo políticas de mobilidade que priorizem o transporte coletivo, ampliem a integração entre modais e ofereçam gratuidade a populações vulneráveis. O grupo também pediu investimentos em cultura e lazer acessíveis, argumentando que a locomoção é pré-requisito para usufruir desses direitos.
A concentração começou nas proximidades da Praça Ramos de Azevedo, no centro da capital. Por volta das 17h, os manifestantes seguiram em direção ao Viaduto do Chá, coração administrativo da cidade, onde entoaram palavras de ordem contra o reajuste. Durante o trajeto, faixas pediam “tarifa zero” e condenavam a chamada “privatização” de serviços públicos.
Abordagens policiais e detenções
Logo no início do ato, ainda próximo ao prédio da prefeitura, a Polícia Militar deteve dois jovens que usavam balaclava. De acordo com o oficial responsável pela operação, o uso da peça para cobrir o rosto em manifestações é considerado ilegal. A Secretaria de Segurança Pública informou que não comentaria o assunto. Advogados ligados ao movimento acompanharam os detidos à delegacia e pediram esclarecimentos sobre o motivo da prisão.
Apesar do episódio, o protesto seguiu sem registros de confrontos. Agentes da PM e da Guarda Civil Metropolitana monitoraram o percurso e isolaram áreas de maior fluxo de veículos para evitar bloqueios prolongados. No início da noite, parte do grupo dispersou-se em direção às estações de metrô, enquanto outro segmento permaneceu em vigília diante do prédio da administração municipal.
Críticas aos governos estadual e municipal
Integrantes de entidades estudantis atribuem o aumento da tarifa a uma política que, segundo eles, transfere custos do transporte público para o usuário. “As gestões Tarcísio e Nunes adotam uma cartilha que coloca serviços essenciais à disposição de interesses privados. Isso encarece a passagem e restringe o direito à cidade”, afirmou Wesley Gabriel, presidente da União Estadual dos Estudantes.
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Organizações como o Movimento Passe Livre reforçaram que manter o valor das tarifas equivaleria a um alívio financeiro num período de inflação elevada. Elas defendem a criação de subsídios permanentes, financiados por impostos progressivos ou por recursos do orçamento geral, para assegurar pelo menos a gratuidade de estudantes, desempregados e idosos.
Manifestações se espalham pelo interior
Cidades como Campinas e Sorocaba também anunciaram atos contra o aumento do transporte. Grupos locais planejam marchas em frente às prefeituras e terminais rodoviários nos próximos dias. Os organizadores pretendem unificar as pautas para pressionar o governo estadual a rever o reajuste nos trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e no Metrô, além de solicitar audiências públicas sobre a política tarifária.
Entidades estudantis indicam que novos protestos podem ocorrer caso não haja resposta das autoridades. Até o momento, nem o Palácio dos Bandeirantes nem a Prefeitura de São Paulo sinalizaram intenção de rever os valores. Técnicos das duas esferas de governo alegam que o aumento foi necessário para cobrir custos de operação e reajuste de contratos.
Próximos passos e expectativa
Representantes do movimento estudantil pretendem protocolar demandas formais nos poderes Executivo e Legislativo nos próximos dias. Entre os itens listados estão a revogação do aumento, a ampliação do passe livre para cursos preparatórios e a realização de debates públicos sobre fontes alternativas de financiamento do transporte coletivo.
Enquanto as negociações não avançam, líderes da mobilização mantêm calendário de assembleias em universidades e escolas para deliberar sobre novas ações. A expectativa é de que os atos ganhem força com a retomada das aulas e a adesão de organizações ligadas à moradia e ao meio ambiente, que também veem na tarifa zero uma estratégia para reduzir o uso de automóveis e as emissões de carbono.





