Sindicatos, movimentos sociais e entidades estudantis realizaram, na tarde de segunda-feira (5), um protesto em frente ao Consulado dos Estados Unidos, na região central de São Paulo. O grupo defendeu a libertação do presidente venezuelano Nicolás Maduro, detido dois dias antes por forças norte-americanas, e reivindicou respeito à autonomia da Venezuela.
Manifestação diante do Consulado americano
A concentração começou por volta das 15h na rua Henri Dunant, onde está localizado o consulado. Cartazes, faixas e discursos criticaram a operação militar desencadeada pelos Estados Unidos no sábado (3), classificada pelos organizadores como “ato de intervenção imperialista”.
Bianca Mondeja, estudante de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP) e integrante da direção da União Nacional dos Estudantes (UNE), afirmou que a mobilização buscou “expressar solidariedade ao povo venezuelano e denunciar ataques de qualquer potência que tente dominar países periféricos do capitalismo”. Segundo ela, a autodeterminação dos povos é considerada “inegociável”.
Para a professora Luana Bife, filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), a estratégia norte-americana gera instabilidade social e económica na América do Sul. “Um dia após a invasão, o presidente Donald Trump já cogitou novas ações militares. Defendemos a paz e o direito de cada nação decidir seu futuro”, declarou.
Representando a Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Gilmar Mauro cobrou a libertação imediata de Maduro e sublinhou que “a soberania de todo o continente está ameaçada”. O dirigente informou que cerca de 60 integrantes do MST permanecem na Venezuela e observam “retomada de mobilizações populares” dentro do país.
Contexto internacional: ataque dos EUA e reação da ONU
A manifestação em São Paulo ocorreu 48 horas depois de tropas norte-americanas terem conduzido uma ofensiva de grande escala contra a Venezuela, culminando na captura de Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Poucas horas após a operação, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos administrariam o país durante um período de transição não especificado.
Maduro foi transferido para Nova Iorque e apresentado, na segunda-feira (5), ao Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan. Durante a audiência de custódia, ele negou acusações de narcoterrorismo, tráfico de drogas e posse de armamento pesado, declarando-se “prisioneiro de guerra” e “homem inocente”.
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No âmbito diplomático, o Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu-se em caráter de urgência na mesma data. Representantes da China e da Rússia condenaram a ação militar e exigiram a libertação do presidente venezuelano. Já o embaixador norte-americano Michael Waltz sustentou que a operação teve “caráter jurídico” e não configurou ato de guerra. O representante brasileiro, Sérgio França Danese, alertou para o risco de escalada do conflito na América do Sul.
Nova liderança interina em Caracas
Enquanto Maduro permanece detido, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu, na segunda-feira (5), a chefia do Executivo venezuelano, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo no país. Nomeada pelo Supremo Tribunal para um mandato provisório de 90 dias, renovável, Rodríguez recebeu apoio do Exército e da Assembleia Nacional. Em seu primeiro pronunciamento, ela exigiu a libertação de Maduro e qualificou a operação norte-americana como “violação grave da soberania” venezuelana.
Em Caracas, apoiadores do ex-presidente organizaram atos em frente ao Palácio de Miraflores, enquanto opositores se dividiram entre críticas ao governo deposto e apreensão diante da intervenção externa. Analistas políticos alertam para possíveis impactos no mercado de petróleo e no fluxo migratório na região, mas governos vizinhos ainda avaliam uma resposta conjunta.
Pontos centrais do protesto em São Paulo
• Libertação imediata de Nicolás Maduro.
• Respeito à autodeterminação dos povos.
• Condenação à intervenção militar dos Estados Unidos.
• Defesa da paz e da estabilidade na América do Sul.
Os organizadores não divulgaram estimativa oficial de público, mas a Polícia Militar acompanhou o ato sem registrar confrontos. Novas manifestações estão previstas para os próximos dias em outras capitais brasileiras, segundo sindicatos e movimentos sociais.





