Ser influencer não garante rendimentos elevados. Dados de 2025 da plataforma Influency.me indicam que, embora existam mais de dois milhões de criadores de conteúdo registados no Brasil, apenas 1,5 % declara receitas superiores a R$ 50 mil por mês. A maioria dos participantes desse mercado recebe entre R$ 500 e R$ 2 000 mensais, cenário que contrasta com a perceção de ganhos fáceis nas redes sociais.
Mercado cresce, mas lucros concentram-se em poucos
O número de perfis inscritos na Influency.me subiu 64 % em relação a 2024, refletindo a expansão do chamado creator economy. Entre os registados, 25 % dizem ganhar até R$ 500 por mês e 33 % informam rendimentos entre R$ 500 e R$ 2 000. Na outra ponta, o grupo que ultrapassa a faixa de R$ 50 mil permanece restrito.
Os criadores são divididos em categorias, dos nanos (até 10 mil seguidores) aos gigantes, como o caso da influencer Virginia Fonseca, com mais de 50 milhões de seguidores no Instagram. Embora a dimensão da comunidade possa influenciar a procura por campanhas, não há garantia de faturamento elevado.
Exemplos expõem variação de ganhos
O paranaense Kelvin (@kelvinanesii), 20 anos, conta mais de 600 mil seguidores no TikTok. Em junho de 2025 publicou 160 vídeos — média de cinco por dia — e recebeu R$ 4 500 em monetização. No mesmo período, Theodoro (@theodoro_fs), 35 anos, com cerca de dois milhões de seguidores, postou 30 vídeos e obteve R$ 5 000.
A criadora Camila Pudim (@camilapudim) tem um dos vídeos mais vistos da plataforma: 662,9 milhões de reproduções em um desafio de maquilhagem. Mesmo assim, a publicação rendeu R$ 13 680, valor que evidencia a relação pouco direta entre volume de visualizações e receita efetiva.
Como cada rede compensa os criadores
TikTok remunera vídeos com mais de um minuto produzidos por utilizadores maiores de 18 anos, com pelo menos 10 mil seguidores e 100 mil visualizações nos últimos 30 dias. O pagamento por visualização varia de US$ 0,01 a US$ 0,05, dependendo de fatores como origem do público, taxa de retenção e tempo de exibição de anúncios. A plataforma também oferece ganhos por lives (assinaturas) e por comissões no programa TikTok Shop.
Instagram não paga diretamente pelos reels. As três formas de monetização disponíveis são parcerias comerciais sinalizadas, presentes virtuais adquiridos pelos seguidores e conteúdos por assinatura. Criadores com grandes audiências dependem, portanto, de acordos externos para gerar receita.
YouTube disponibiliza diversas fontes de rendimento, entre elas publicidade inserida nos vídeos, vendas através do YouTube Shopping e o Clube dos Canais. Para além disso, espectadores podem pagar para destacar mensagens no chat durante transmissões ao vivo. O jornalista Allan Simon, dono de um canal sobre futebol com 159 mil inscritos, reporta ganhos de aproximadamente US$ 250 por mês com cerca de 300 mil visualizações, abaixo das estimativas de outros canais de porte semelhante.
Imagem: Tecnologia & Inovação
Afiliados ganham força no ecossistema
Empresas como Amazon, Shein e Shopee oferecem percentuais sobre vendas realizadas por links de recomendação. Segundo pesquisa da Influency.me, 69 % dos utilizadores já adquiriram produtos sugeridos por influenciadores. Agências especializadas apontam criadores com 100 mil seguidores que chegam a arrecadar R$ 300 mil mensais apenas em comissões.
Para além de posts patrocinados, os profissionais do setor ampliam fontes de receita com newsletters, podcasts, coleções assinadas e consultorias. Especialistas consideram a diversificação essencial para mitigar a volatilidade dos algoritmos e a imprevisibilidade de pagamentos por visualização.
Requisitos e esforço contínuo
Plataformas que remuneram diretamente, como o TikTok, exigem produção frequente e métricas rigorosas. Vídeos curtos, ainda que alcancem milhões de pessoas, podem ficar fora dos programas de incentivo se não cumprirem duração mínima ou limites de visualização. As exigências levam criadores a publicar em ritmo intenso; Kelvin, por exemplo, mantém média superior a 30 conteúdos semanais.
Agências relatam que muitos aspirantes entram no segmento motivados pela ideia de enriquecer rapidamente, mas encontram uma realidade de trabalho constante, metas variáveis e contratos pontuais. A CEO da Mynd, Fátima Pissarra, observa que o sucesso on-line requer disciplina comparável — ou superior — à de empregos tradicionais.
Panorama
O crescimento acelerado do número de influenciadores no Brasil mostra que o modelo atrai cada vez mais interessados. Entretanto, os dados indicam que apenas uma minoria converte audiência em rendimentos expressivos. Monetização direta, parcerias comerciais e vendas afiliadas formam um leque amplo de possibilidades, mas dependem de estratégia, regularidade na produção de conteúdo e capacidade de criar comunidade fiel.





