Querido Mundo, primeiro longa-metragem dirigido por Miguel Falabella, foi exibido na noite de sexta-feira, 24 de janeiro, na praça central de Tiradentes (MG). A sessão gratuita integrou a programação da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes e transformou o espaço histórico em sala a céu aberto, atraindo um público numeroso que acompanhou a projeção em silêncio atento.
Exibição ao ar livre reúne espectadores e equipe
Antes de o filme começar, Falabella subiu ao palco montado na praça para apresentar a obra. O diretor relatou ao público o caminho percorrido até assumir a direção cinematográfica. “Dirigir um filme era algo que, durante muito tempo, me parecia impossível. Mas eu queria contar essa história. Criar, entrar e inventar um novo mundo é fascinante”, declarou sob aplausos.
Estrelado por Malu Galli e Eduardo Moscovis, o drama acompanha dois personagens que, na virada do ano, ficam presos entre os escombros de um prédio abandonado. A narrativa aborda dependência emocional, violência doméstica e a chance de recomeço. As cenas provocaram reações intensas do público, que se dividiu entre momentos de emoção e longos períodos de silêncio concentrado.
A exibição reforçou a proposta do festival de levar o cinema brasileiro para áreas de circulação popular. Realizada a céu aberto, a sessão permitiu a aproximação entre realizadores e espectadores, característica valorizada pela organização da mostra desde a primeira edição.
Debate amplia discussões sobre criação e atuação
Na manhã de domingo, 25 de janeiro, Miguel Falabella voltou a se encontrar com o público em uma conversa aberta. O encontro abordou processo criativo, direção de atores e diferenças entre linguagens. O realizador destacou a importância do corpo na interpretação: “Hoje em dia pouca gente trabalha isso, o corpo do ator. É uma outra construção, outra postura, outro diafragma, outro enunciado”.
Falabella relembrou experiências no teatro e na televisão e comentou a influência dessas linguagens na realização de Querido Mundo. Ao citar o cineasta Júlio Bressane, homenageado nesta edição da mostra, o diretor afirmou que trabalhar em Cleópatra foi decisivo para compreender abordagens não naturalistas. “Ele tem uma dimensão totalmente antinaturalista. Para quem vem da televisão, acostumado ao naturalismo, é um exercício poderoso: você precisa descobrir outra maneira de dizer aquilo, de dar credibilidade a um texto difícil”, explicou.
O debate também tratou do papel do espectador diante de obras que exigem participação ativa. “É não pegar a pessoa pela mão o tempo todo. É exercitar a cabeça”, resumiu Falabella, arrancando concordância da plateia.
Imagem: Ultimas Notícias
Festival apresenta panorama do audiovisual brasileiro
Com o tema Soberania Imaginativa, a 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes ocupa a cidade histórica até 31 de janeiro. A programação inclui exibições gratuitas, debates, oficinas e encontros profissionais, reforçando o evento como a primeira vitrine do calendário audiovisual brasileiro.
Além de Querido Mundo, o festival exibe produções de diferentes regiões do país e promove reflexões sobre processos criativos, políticas de produção e circulação de filmes. A organização mantém a proposta de acesso gratuito a todas as atividades, buscando ampliar o diálogo entre realizadores e público.
A escolha da praça como local para a sessão de abertura simboliza o compromisso da mostra com a democratização do cinema nacional. Ao ocupar o espaço público, o evento aproxima a comunidade das obras selecionadas e fortalece o vínculo afetivo entre espectadores e profissionais do setor.
A 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes segue até o fim do mês com uma agenda de exibições e discussões que contemplam longas e curtas-metragens, obras clássicas e produções inéditas. A programação completa está disponível nos materiais oficiais da mostra.





