LONDRES, 5 de janeiro — O governo britânico solicitou informações detalhadas à rede social X, controlada por Elon Musk, sobre o funcionamento do seu chatbot de inteligência artificial, Grok, após a geração de imagens que mostram pessoas sem roupa e representações sexualizadas de crianças. O pedido investiga se a empresa descumpriu obrigações legais de proteger os utilizadores no Reino Unido.
Pedido urgente do regulador britânico
O Office of Communications (Ofcom), órgão responsável pela regulação dos meios de comunicação no Reino Unido, confirmou que está “ciente das sérias preocupações” levantadas em torno do recurso de criação de imagens do Grok. Um porta-voz declarou que o regulador entrou em contacto urgente com a X e com a xAI, empresa de inteligência artificial de Musk, para compreender quais medidas foram adotadas a fim de garantir a segurança dos utilizadores britânicos.
Legislação do país determina que plataformas tecnológicas devem prevenir o acesso a conteúdos ilegais e removê-los rapidamente quando tomam conhecimento da sua existência. A criação ou partilha de imagens íntimas não consensuais, assim como material de abuso sexual infantil — inclusive “deepfakes” gerados por IA —, é considerada crime pelas leis britânicas.
Falhas reconhecidas pela equipa do Grok
Em publicação realizada na própria rede X, a equipa responsável pelo Grok admitiu que houve lacunas nas salvaguardas aplicadas ao modelo. Segundo a nota, essas falhas permitiram a produção de “imagens que retratam menores em roupas mínimas”. A declaração acrescenta que técnicas de bloqueio já existentes estão a ser reforçadas “com urgência” para impedir completamente solicitações desse tipo.
A xAI informou ainda que trabalha em melhorias contínuas no sistema de filtragem e na monitorização de pedidos considerados sensíveis. A empresa não divulgou prazo para concluir os ajustes, mas garantiu que novas restrições estão em implementação imediata.
Contexto legal e dever de proteção
O enquadramento regulatório do Reino Unido impõe responsabilidade direta às plataformas digitais no combate a materiais sexualmente abusivos. A partir da Lei de Conteúdo Online Seguro, empresas que operam no país devem adotar medidas preventivas robustas, como verificações técnicas, canais de denúncia e remoção célere de conteúdos ilícitos. O não cumprimento dessas normas pode resultar em multas significativas e outras sanções administrativas.
Imagem: Internet
Analistas do setor apontam que a utilização de modelos generativos amplia o risco de disseminação rápida de imagens ilegais. Nesse cenário, autoridades reforçam a necessidade de filtros escaláveis e auditorias independentes, sobretudo quando menores de idade são potencialmente expostos.
Repercussão internacional e pressão adicional
O episódio no Reino Unido ocorre em paralelo a críticas de autoridades francesas, que na mesma semana classificaram como “manifestamente ilegal” a circulação de conteúdo “sexual e sexista” na plataforma de Musk. Em comunicado oficial, ministros do governo francês pediram ações imediatas para remover as imagens e prevenir reincidências.
O acúmulo de questionamentos em diferentes jurisdições eleva a pressão sobre a X e sobre a xAI para demonstrar conformidade regulatória. Até o momento, a empresa não divulgou detalhes sobre eventuais investigações internas nem informou se adotará auditorias externas para atestar a eficácia das novas salvaguardas.
Enquanto aguarda esclarecimentos, o regulador britânico avalia possíveis passos adicionais, que podem incluir exigência de relatórios técnicos ou abertura de processo formal caso a plataforma não comprove a adequação dos seus mecanismos de proteção. A situação mantém em evidência os desafios de integrar inteligência artificial generativa a serviços com grande base de utilizadores, sem comprometer a segurança online.





