Roubo de carros elétricos dobra em São Paulo e coloca SUVs híbridos na mira

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O número de roubos e furtos de automóveis elétricos e híbridos no estado de São Paulo duplicou entre janeiro e outubro de 2025, segundo levantamento da empresa de rastreamento Ituran Brasil. Foram 88 boletins de ocorrência no período, ante 44 registados nos mesmos meses de 2024, o que corresponde a 0,09 % do total de crimes contra veículos.

Volume de ocorrências cresce além das vendas

A expansão dos crimes supera o ritmo de emplacamentos desses veículos. De acordo com a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), as vendas de híbridos e elétricos no estado aumentaram quase 70 % nos intervalos comparados, saltando de 48.817 para 82.415 unidades. Embora o segmento tenha ganhado força no mercado, a elevação das ocorrências criminais foi proporcionalmente maior.

Os dados revelam ainda uma mudança no perfil do delito. Em 2024, os roubos — práticas com violência ou ameaça — eram maioria. Já em 2025, os furtos superaram os roubos, indicando possível adaptação das quadrilhas, que passaram a agir de forma mais discreta.

Na capital paulista, a tendência foi semelhante. As delegacias da cidade anotaram 48 ocorrências nos dez primeiros meses de 2025, contra 26 em igual período do ano anterior, variação de 85 %. O Jabaquara, na zona sul, liderou o ranking de bairros com maior número de queixas.

Modelos mais visados e estratégias policiais

Entre os veículos preferidos dos criminosos, o Toyota Corolla Cross híbrido aparece na liderança, com 19 ocorrências. A popularidade do utilitário esportivo no mercado de novos e seminovos, aliada à compatibilidade de componentes entre versões híbridas e a combustão, facilita o escoamento de peças no mercado clandestino, explica Fernando Correia, gerente de operações da Ituran.

O BYD Dolphin EV, totalmente elétrico, surge em segundo lugar, com 11 registros. Segundo especialistas, o modelo tem conquistado motoristas de aplicativos, o que amplia sua presença nas ruas e, por consequência, a exposição ao risco de crime. Na terceira posição está o Fiat Pulse híbrido, com nove casos, primeiro aparecimento do SUV no levantamento após o lançamento em novembro de 2024.

Correia observa que ainda não há indícios de mercado paralelo para baterias de alta tensão, componentes mais caros dos elétricos. Contudo, faróis, para-choques e itens de acabamento compartilhados com versões tradicionais alimentam desmanches já existentes. “O que muda é a motorização; os demais itens são idênticos e têm saída rápida”, afirma.

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Para Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getulio Vargas e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o avanço dos elétricos exige resposta específica das autoridades. “A Secretaria da Segurança Pública precisa antecipar novas modalidades de crime e mapear possíveis desmanches voltados a esses veículos”, alerta.

A pasta estadual não comenta metodologias de pesquisas externas, mas afirma que o roubo e furto de veículos em geral seguem em queda. Entre janeiro e novembro de 2025, as estatísticas oficiais indicam redução de 18,43 % nos roubos e 6,66 % nos furtos em todo o estado. No mesmo período, 47.030 automóveis foram recuperados pelas polícias, segundo a Secretaria.

O órgão acrescenta que continua a reforçar o patrulhamento em regiões com maior incidência e a realizar operações para desarticular quadrilhas especializadas. As ações incluem monitoramento de rotas de fuga, checagem de oficinas suspeitas e integração de dados de inteligência com empresas de rastreamento.

A Ituran, responsável pelo estudo, utiliza boletins de ocorrência da Polícia Civil disponíveis publicamente para compilar estatísticas. A metodologia engloba veículos 100 % elétricos e híbridos, incluindo plug-in e convencionais, que somam fração ainda pequena da frota paulista, mas em expansão contínua.

O aumento das ocorrências reforça a necessidade de proprietários adotarem medidas preventivas, como rastreadores adicionais e estacionamentos seguros. Para especialistas, a tendência de crescimento dos elétricos no país exigirá aperfeiçoamento de políticas de segurança e fiscalização de comércio ilegal de peças.

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