Samsung planeja levar Galaxy AI a 800 milhões de dispositivos até 2026

A Samsung Electronics pretende duplicar a presença do Galaxy AI nos seus equipamentos móveis, passando de 400 para 800 milhões de unidades até 2026. O objetivo foi reafirmado pelo copresidente executivo T M Roh em entrevista concedida nesta segunda-feira, refletindo a estratégia de acelerar a integração de recursos de inteligência artificial em toda a linha de produtos.

Meta de expansão global do Galaxy AI

Segundo Roh, a companhia quer “aplicar IA a todos os produtos, funções e serviços o mais rápido possível”. Hoje, os recursos identificados como Galaxy AI – alimentados principalmente pelo modelo Gemini, do Google, e complementados pelo assistente Bixby – já estão presentes em smartphones, tablets e outros dispositivos móveis da marca sul-coreana. A duplicação para 800 milhões de unidades em dois anos ampliará a base instalada e reforçará o papel da Samsung como maior parceira do ecossistema Android.

A adoção de ferramentas de IA vem crescendo no portfólio da marca. Entre as funcionalidades mais usadas, Roh aponta busca avançada, tradução, resumo de texto, além de editores generativos para imagem e produtividade. Levantamentos internos indicam que o reconhecimento espontâneo da expressão “Galaxy AI” subiu de 30% para 80% em um ano, sinalizando maior familiaridade do consumidor com as novas capacidades.

Ao impulsionar o uso do Gemini, a Samsung também fortalece o Google na disputa direta com outros modelos, como o GPT-5.2 da OpenAI. A corrida por usuários finais intensifica-se à medida que fabricantes de hardware buscam diferenciais competitivos baseados em IA.

Pressão da escassez de chips e impacto nos preços

O plano de expansão ocorre num cenário de escassez global de memória, que beneficia a divisão de semicondutores da Samsung, mas pressiona margens no segmento de smartphones. Roh admite que a alta de preços dos chips torna “inevitável” algum repasse aos produtos finais. Para mitigar efeitos, a empresa afirma trabalhar em estratégias de longo prazo com parceiros da cadeia de abastecimento.

Institutos de pesquisa, como IDC e Counterpoint, projetam queda no volume mundial de smartphones em 2026 caso a crise de oferta persista. Mesmo assim, a Samsung mantém a meta de recuperar liderança frente à Apple e conter avanços de fabricantes chinesas em celulares, televisores e eletrodomésticos.

Samsung planeja levar Galaxy AI a 800 milhões de dispositivos até 2026 - Tecnologia & Inovação

Imagem: Tecnologia & Inovação

Concorrência em IA e caminho dos dispositivos dobráveis

A atualização do Gemini 3, lançada em novembro, levou concorrentes a acelerar próprios desenvolvimentos. A OpenAI, por exemplo, declarou internamente “código vermelho” antes de liberar o modelo GPT-5.2 poucas semanas depois. A Samsung aposta que a adoção de IA no consumidor sofrerá forte aceleração em seis a doze meses, tornando-se componente padrão de uso cotidiano.

No segmento de smartphones dobráveis, que a empresa inaugurou em 2019, o crescimento vem abaixo do previsto. Roh atribui o ritmo mais lento às complexidades de engenharia e à falta de aplicações otimizadas para o formato. Ainda assim, ele prevê popularização nos próximos dois ou três anos, citando taxa “muito alta” de clientes que repetem a compra de um dobrável. Dados da Counterpoint indicam que, no terceiro trimestre de 2025, a Samsung detinha quase dois terços deste mercado, mas enfrenta novos rivais como Huawei e o aguardado primeiro modelo dobrável da Apple.

Resultados imediatos e perspectivas

Na bolsa de Seul, as ações da Samsung encerraram a sessão desta segunda-feira em alta de 7,5%, movimento associado às expectativas de melhora no lucro do quarto trimestre, impulsionado pelo cenário de oferta restrita de memória. O balanço financeiro será divulgado ainda nesta semana.

A meta de alcançar 800 milhões de dispositivos com Galaxy AI até 2026 resume a estratégia central da Samsung: expandir inteligência artificial em escala, proteger participação no mercado de smartphones e alavancar o negócio de semicondutores, mesmo diante da volatilidade na cadeia de suprimentos.

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