Site italiano fecha após exibir nudes falsos de Giorgia Meloni e outras figuras públicas

NewsUp Brasil

Um fórum italiano dedicado a conteúdo explícito encerrou as atividades nesta quinta-feira (27) depois de denúncias de que publicava imagens adulteradas de mulheres sem qualquer autorização. Entre as vítimas estavam a primeira-ministra Giorgia Meloni, a eurodeputada Alessandra Moretti, a líder da oposição Elly Schlein e a influenciadora Chiara Ferragni. O caso reacende o debate sobre violência de género e uso indevido de imagens na internet.

Plataforma reunia cerca de 200 mil utilizadores

Conhecido pelo nome de “Phica” – derivado de gíria italiana para órgãos sexuais femininos –, o site funcionava há pelo menos duas décadas. Segundo investigações preliminares, a comunidade contava com aproximadamente 200 mil utilizadores que trocavam fotos identificadas por nomes de mulheres famosas, categorias específicas ou programas televisivos.

Grande parte do conteúdo era obtida a partir de transmissões de televisão, perfis em redes sociais ou outras fontes públicas. As imagens originais eram manipuladas digitalmente para simular nudez ou atos de natureza sexual. Além disso, relatos apontam publicações com teor violento e ameaças dirigidas às mulheres retratadas.

A pressão pela retirada do portal ganhou força depois que Alessandra Moretti, eurodeputada pelo Partido Democrático, encontrou uma imagem própria no fórum e apresentou queixa formal à polícia. “Eles roubam fotos de programas em que apareço, alteram-nas e as disponibilizam a milhares de utilizadores”, declarou a parlamentar.

Reação política e medidas legais em curso

Diante da repercussão negativa, os administradores do Phica divulgaram um comunicado informando o encerramento do serviço “com grande pesar”. No texto, atribuem a decisão a “comportamentos tóxicos” e “uso indevido da plataforma, que prejudicou sua essência original”. Não foram detalhadas as próximas ações nem mencionados potenciais processos judiciais.

Moretti afirmou que o Phica representa apenas um entre vários espaços online que operam com impunidade na Itália. Para a eurodeputada, tais portais “incitam estupro e violência” e deveriam ser banidos de forma definitiva. “Há inúmeras denúncias contra sites semelhantes, mas poucos resultados concretos”, criticou.

O encerramento do fórum ocorre semanas depois de outro episódio que levantou preocupações sobre a divulgação não consensual de imagens íntimas. No grupo do Facebook “Mia Moglie” (“Minha Esposa”), com mais de 30 mil participantes, homens partilhavam fotos de parceiras sem consentimento, acompanhadas de comentários de cunho sexual. O caso gerou condenação pública em todo o país.

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Imagem: NewsUp Brasil

Em resposta ao aumento de crimes relacionados à violência de género, o governo italiano aprovou em março um projeto de lei que, pela primeira vez, introduz a definição de feminicídio no Código Penal. A proposta estabelece prisão perpétua para esse tipo de crime, mas ainda precisa passar por votação final para entrar em vigor. Partidos de oposição elogiaram o texto, mas alertaram que raízes económicas, educacionais e culturais do sexismo continuam sem solução.

Especialistas em direito digital observam que a legislação italiana prevê punições para quem divulga material íntimo sem autorização, prática conhecida como “revenge porn”. Contudo, órgãos de aplicação da lei enfrentam dificuldades para monitorar fóruns anónimos, hospedagens no exterior e redes privadas virtuais utilizadas para mascarar a identidade de responsáveis.

O encerramento do Phica não elimina o conteúdo que já circula pela internet. Organizações de defesa de direitos digitais recomendam que vítimas coletem provas, registem queixa formal e solicitem remoção em múltiplas plataformas. Empresas de redes sociais e motores de busca, por sua vez, afirmam seguir políticas de retirada imediata quando há violação clara de privacidade ou copyright.

Enquanto autoridades investigam possíveis crimes associados ao site, parlamentares discutem medidas adicionais para reforçar proteções online. Propostas incluem campanhas educacionais sobre consentimento digital e criação de equipas policiais dedicadas a crimes cibernéticos de género.

O encerramento do fórum Phica, embora celebrado por vítimas e defensores de direitos das mulheres, é visto como um passo pontual num contexto mais amplo. Organizações de combate à violência contra a mulher destacam que o desafio reside em prevenir o reaparecimento de plataformas semelhantes e garantir responsabilização eficaz de quem cria ou distribui conteúdo íntimo não autorizado.

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