A Snap Inc. anunciou a formação de uma subsidiária independente, batizada de Specs, dedicada ao desenvolvimento e à comercialização de óculos inteligentes de realidade aumentada (RA). O objetivo é atrair capital externo e fortalecer a posição da empresa num segmento em rápida expansão, atualmente liderado pela Meta.
Estratégia para captar recursos e acelerar o projeto
O lançamento da nova unidade foi comunicado nesta quarta-feira, juntamente com a informação de que a Snap pretende receber investimentos minoritários de parceiros interessados. Segundo a companhia, o desenho societário separado facilitará o acesso a financiamento adicional para cobrir os custos elevados envolvidos em hardware, software e pesquisa e desenvolvimento.
O cofundador e diretor-executivo Evan Spiegel revelou, em conferência realizada na Augmented World Expo no ano passado, que a Snap já aplicou mais de 3 mil milhões de dólares em 11 anos de trabalho no campo dos óculos de RA. Mesmo com esse aporte, a empresa considera necessário ampliar a base de investidores para enfrentar desafios de produção e logística, comuns em dispositivos vestíveis.
Como parte do plano de expansão, a Specs abriu quase 100 vagas em diversos países. As contratações visam reforçar equipas de engenharia, design e cadeia de suprimentos, preparando o terreno para o lançamento comercial do produto.
Concorrência intensa e cadeia de suprimentos sob pressão
O anúncio da Snap ocorre num momento em que os óculos Ray-Ban Meta, fruto da parceria entre Meta Platforms e EssilorLuxottica, ganham tração no mercado. Dados da International Data Corporation (IDC) apontam que, no ano passado, a Meta respondeu por 70 % das remessas globais de óculos inteligentes, seguida por Xiaomi (8,5 %) e Huawei (2,7 %).
Apesar do domínio da Meta, o setor enfrenta obstáculos. No início de janeiro, limitações de abastecimento levaram a Meta a suspender a expansão internacional do modelo Ray-Ban Display, priorizando a entrega de unidades dentro dos Estados Unidos. Esse episódio evidenciou a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos, que pode impactar metas de produção mesmo em empresas de grande porte.
Além da Meta, outros gigantes tecnológicos buscam parcerias estratégicas. O Google, por exemplo, colabora com a varejista Warby Parker para avançar em projetos de óculos inteligentes. O movimento reforça a tendência de cooperação entre fabricantes de hardware e marcas reconhecidas no setor de moda ou ótica.
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Recursos previstos e apostas em software
A Snap informou que o dispositivo da linha Specs contará com um “sistema de inteligência” capaz de antecipar necessidades do utilizador e oferecer assistência em tarefas quotidianas. Embora detalhes técnicos não tenham sido divulgados, a companhia destaca a integração entre lentes, sensores e algoritmos de RA como pilar do projeto.
Para analistas de mercado, a diferenciação nesse segmento dependerá menos de avanços pontuais em hardware e mais da construção de ecossistemas robustos de software. Francisco Jeronimo, vice-presidente de pesquisa de dispositivos da IDC, afirmou que o valor agregado ao consumidor estará na qualidade das aplicações e serviços oferecidos em conjunto com o produto.
O posicionamento da Snap combina sua experiência com o aplicativo Snapchat, conhecido pelos filtros de realidade aumentada, e a aposta em hardware próprio. Ao aliar conteúdo, plataforma e dispositivo, a empresa pretende competir diretamente com rivais que já comercializam soluções de áudio, captura de imagem e assistentes embutidos em armações.
Impacto imediato no mercado financeiro
Após a divulgação da nova estrutura, as ações da Snap avançaram mais de 2 % nas negociações do dia. Investidores reagiram positivamente à possibilidade de diluição de custos de desenvolvimento e ao potencial de receitas adicionais provenientes de futuros parceiros.
Embora o cronograma de lançamento dos óculos Specs não tenha sido detalhado, a criação da unidade independente sinaliza que a Snap busca acelerar a transição de protótipos para produtos de consumo. A companhia reforça, assim, sua intenção de disputar um espaço relevante num mercado de dispositivos vestíveis que une realidade aumentada e inteligência artificial.





