Moscou — A Sony desligou definitivamente a subsidiária responsável pelos negócios de telefonia móvel na Rússia e, em paralelo, iniciou a cobrança judicial de valores devidos por grandes exibidores locais. Dados do Registro Estatal Unificado de Entidades Jurídicas (EGRUL) confirmam que a liquidação da Sony Mobile Communications Rus foi formalizada na segunda-feira, 11 de novembro.
Fechamento da divisão de telefonia
O processo de encerramento foi protocolado em 10 de outubro de 2024 e tornava-se público nesta semana. Uma tentativa anterior, apresentada em dezembro de 2023, havia sido rejeitada pelos órgãos reguladores, mas a multinacional japonesa ajustou a documentação e obteve o aval para retirar a unidade do mercado.
Com a medida, a Sony conclui a retirada gradual do segmento de dispositivos móveis no país. Desde 2022, a empresa já havia interrompido vendas de consoles PlayStation, remessas de jogos físicos e o funcionamento da PlayStation Store em território russo, medidas tomadas em resposta às sanções internacionais aplicadas após a invasão da Ucrânia.
A principal subsidiária local, a Sony Electronics, permanece ativa e continua a responder pelas operações de áudio, vídeo e fotografia, mas sem previsão de retomada das atividades suspensas em outras frentes.
Disputa judicial com redes de cinema
Enquanto reorganiza a presença corporativa, a Sony enfrenta um litígio financeiro derivado de exibições de filmes realizadas antes de sua retirada de distribuição no país. O ex-representante da Sony Pictures na Rússia ingressou com 20 ações judiciais contra as principais redes de cinema, cobrando um total de 980 milhões de rublos, equivalentes a cerca de R$ 66 milhões.
Os processos referem-se a pagamentos não efetuados pela exibição de títulos do estúdio. O maior deles atinge 436,4 milhões de rublos (aproximadamente R$ 29,7 milhões). Segundo o jornal Moskovsky Komsomolets, parte do débito decorre da extensão de sessões além do período contratual, prática que se intensificou depois que estúdios norte-americanos suspenderam lançamentos na Rússia em 2022.
Nesse intervalo, exibidores teriam mantido cartazes de produções da Sony para suprir a ausência de estreias, gerando receitas estimadas em 4 bilhões de rublos (cerca de R$ 272 milhões). A companhia argumenta que parte desses ganhos deveria ter sido repassada.
Possibilidade de acordo
Fontes citadas pela imprensa russa indicam que um acerto fora dos tribunais não está descartado. Caso ocorra um arrefecimento nas tensões entre Moscou e Washington, a Sony poderia reconsiderar o prosseguimento das ações, privilegiando negociações diretas com as redes de cinema.

Imagem: Tecnologia e Inovação
Até o momento, porém, os processos avançam em diferentes instâncias. Os demandados ainda não se pronunciaram publicamente sobre o mérito das cobranças ou sobre eventual contraproposta.
Contexto das sanções e impactos
A saída de empresas de tecnologia e entretenimento do mercado russo tornou-se comum após a imposição de sanções ocidentais em 2022. Apple, Microsoft, Netflix e outras marcas suspenderam parcial ou totalmente suas operações. Para a Sony, a reorganização inclui não apenas o fim das remessas de hardware e software, mas também a revisão de contratos de licenciamento e distribuição, como evidenciado na disputa com os cinemas.
Especialistas em comércio internacional afirmam que a conclusão de processos de liquidação, como o da Sony Mobile Communications Rus, tende a ser demorada em função de exigências legais locais. Ainda assim, a companhia conseguiu concluir o encerramento administrativo em pouco mais de um ano desde a primeira tentativa.
Próximos passos
Com o esvaziamento da divisão móvel, a representação da Sony na Rússia concentra-se agora em produtos de consumo e serviços que ainda não foram afetados pelas restrições. A empresa não sinalizou planos de retomar a venda de smartphones ou consoles, mantendo, por enquanto, a estratégia de redução de exposição no país.
Do lado judicial, o cronograma de audiências referentes às 20 ações deverá prolongar-se ao longo de 2025. A soma reivindicada pela Sony representa menos de 2 % do faturamento anual do setor de exibição russo, mas o resultado pode estabelecer precedente relevante para outras empresas estrangeiras que buscam reaver valores após suspenderem operações na região.