Um novo conceito de veículo elétrico da Sony Honda Mobility foi apresentado esta semana na feira de tecnologia CES, realizada em Las Vegas, Estados Unidos. A joint-venture formada pelo Sony Group e pela Honda Motor levou ao palco um protótipo que antecipa a próxima geração da linha Afeela, reforçando o compromisso das duas empresas com a mobilidade elétrica.
Meta de comercialização fixada para 2028
Durante o anúncio, o presidente-executivo da Sony Honda Mobility, Yasuhide Mizuno, afirmou que o modelo derivado do protótipo deverá chegar aos consumidores norte-americanos em 2028. Segundo o executivo, os planos de produção e de certificação avançam dentro do cronograma, permitindo que o veículo seja entregue inicialmente no mercado dos Estados Unidos, antes de uma eventual expansão internacional.
Mizuno explicou que a escolha pelos Estados Unidos se baseia em fatores como infraestrutura de recarga, base de clientes dispostos a adotar tecnologias emergentes e maior margem para escalonar a produção. A empresa não mencionou prazos específicos para outros países, mas indicou que o cronograma poderá ser ajustado conforme a receção do público e as condições de mercado.
Primeiras unidades do Afeela 1 ainda este ano
A Sony Honda Mobility também confirmou que o Afeela 1 — primeiro modelo elétrico da sociedade — deverá começar a ser entregue a compradores do estado da Califórnia no final de 2026. O carro, apresentado originalmente no ano passado, tem preço inicial de US$ 89.900. A empresa espera aproveitar a forte adoção de veículos elétricos na região para consolidar a marca e recolher feedback dos utilizadores antes de ampliar a distribuição.
A Califórnia foi escolhida pela elevada densidade de estações de carregamento, por políticas estaduais de incentivo à eletrificação e por representar o maior mercado de veículos elétricos dos EUA. Com isso, a joint-venture pretende construir uma base sólida de clientes e testar funcionalidades de software e serviços conectados que serão estendidos a outras regiões.
Contexto desfavorável não altera estratégia
A apresentação do novo conceito ocorreu num momento em que várias montadoras norte-americanas reduzem ou adiam investimentos em elétricos. Diversos fabricantes cancelaram lançamentos previstos ou suspenderam linhas de montagem, citando custos elevados de produção e procura aquém das expectativas.
Apesar desse cenário, a Sony Honda Mobility decidiu manter o planejamento. Mizuno ressaltou que a parceria entre eletrónica de consumo e engenharia automotiva representa uma proposta diferenciada, baseada em experiência digital, entretenimento embarcado e soluções de condução assistida. De acordo com o executivo, esses fatores podem compensar a retração temporária do segmento.
Incentivos fiscais reduzidos afetam procura
Outro ponto que influencia o mercado é a revisão de benefícios fiscais para veículos elétricos. Durante o governo de Donald Trump, o incentivo federal de US$ 7.500 foi retirado, medida que diminuiu a competitividade de modelos movidos a bateria face aos automóveis a combustão. A mudança interrompeu o crescimento acelerado da procura e levou algumas montadoras a rever projeções de venda.
Imagem: Tecnologia & Inovação
Nesse contexto, o posicionamento da Sony Honda Mobility contrasta com a postura mais cautelosa de empresas que optaram por adiar investimentos. A joint-venture considera que a oferta de conteúdos digitais, atualizações por software e integração com dispositivos eletrónicos poderá atrair consumidores que buscam conectividade avançada, mitigando o impacto da perda do subsídio federal.
Estratégia de diferenciação baseada em tecnologia
O protótipo exibido na CES traz elementos de design minimalista, painéis tácteis no exterior e sensor LiDAR no topo do para-brisas. No interior, destacam-se um painel panorâmico de alta resolução e integração com sistemas de videojogos e streaming proprietários da Sony. A proposta é transformar o automóvel em plataforma de entretenimento e serviços digitais, característica apontada pela empresa como grande diferencial competitivo.
Além das capacidades de infotainment, o veículo incorpora hardware para condução semiautónoma, apoiado por um conjunto de câmaras, radares e processadores de alto desempenho. A Sony Honda Mobility afirmou que as atualizações de software serão distribuídas por via remota, permitindo a introdução gradual de novas funcionalidades sem que o veículo precise regressar à concessionária.
Com a revelação do protótipo, a joint-venture consolida a mensagem de que pretende entrar no mercado de maneira estruturada, mesmo em ambiente adverso. A meta de disponibilizar o modelo final em 2028 e as primeiras entregas do Afeela 1 ainda este ano evidenciam um plano de execução a médio prazo, sustentado por parcerias tecnológicas e experiência no setor automotivo.
Se os objetivos forem cumpridos, a Sony Honda Mobility passará a competir num segmento em rápida evolução, onde convergem software, eletrónica de consumo e engenharia automotiva. Até lá, a empresa seguirá a desenvolver o protótipo, a negociar acordos de fornecimento e a definir a rede de distribuição que suportará a introdução do Afeela nas estradas norte-americanas.





