O Spotify lançou, nos Estados Unidos e no Canadá, um novo recurso de inteligência artificial que permite a assinantes Premium criar playlists a partir de comandos de texto. A funcionalidade, chamada de “prompted playlist”, utiliza o histórico de escuta do utilizador combinado com instruções escritas para gerar listas de reprodução sob medida.
Recurso amplia aposta em IA para personalização
Segundo a empresa, a “prompted playlist” posiciona o assinante como protagonista do processo de curadoria. Em vez de receber recomendações passivas, o ouvinte define regras claras para o algoritmo — como temas, gêneros, décadas ou estados de espírito — e determina ainda a frequência com que a seleção deve ser atualizada, seja diariamente ou semanalmente.
A vice-presidente de personalização de produto, Molly Holder, explicou que os utilizadores querem participar ativamente da experiência sonora. “Os ouvintes não desejam apenas que o Spotify os compreenda; eles pretendem moldar o serviço com as próprias palavras”, afirmou durante conferência de imprensa.
A novidade amplia o portfólio de funcionalidades baseadas em IA que o Spotify vem testando. Após fase piloto na Nova Zelândia, a expansão para os dois maiores mercados da plataforma na América do Norte representa mais um passo na estratégia de converter utilizadores do plano gratuito para opções pagas.
Como funciona a “prompted playlist”
Para criar uma lista, o assinante digita um comando no campo indicado. O algoritmo analisa o pedido, cruza preferências pessoais registradas pelo serviço e sugere um conjunto de faixas que se encaixem nos parâmetros. Caso o resultado não corresponda às expectativas, o utilizador pode refinar as instruções quantas vezes desejar até alcançar o perfil desejado.
Entre os exemplos fornecidos pela companhia estão comandos como “músicas indie otimistas dos anos 2010 para correr” ou “rock clássico para uma viagem de carro de duas horas”. A intenção é tornar o processo de descoberta mais interativo e preciso, reduzindo o tempo gasto na busca manual por canções.
Estratégia acompanha ajuste de preços do serviço
O lançamento ocorre poucos dias após o Spotify anunciar aumento de um dólar no valor da assinatura mensal Premium nos Estados Unidos, Estónia e Letónia. A partir de fevereiro, o plano individual passa a custar 12,99 dólares no mercado norte-americano. A empresa não relacionou formalmente as mudanças, mas sinalizou que novos benefícios podem justificar o reajuste.
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Fundado na Suécia em 2006, o serviço de streaming enfrenta concorrência crescente de Apple Music, Amazon Music e YouTube Music. Para diferenciar-se, a plataforma tem investido em ferramentas que combinam machine learning e feedback direto dos utilizadores, na tentativa de oferecer recomendações mais relevantes e fidelizar o público pagante.
Testes anteriores e próximos passos
Antes da chegada ao Canadá e aos Estados Unidos, a “prompted playlist” foi testada na Nova Zelândia. A empresa não divulgou números da fase piloto, mas classificou a receção como positiva. Ainda não há confirmação oficial sobre expansão para outros mercados, nem data prevista para utilizadores de planos gratuitos.
O Spotify informou que continuará a recolher dados de uso e feedback para aprimorar o modelo de IA. Ajustes futuros podem incluir suporte a comandos de voz, integração com assistentes virtuais e novos filtros de personalização, de acordo com necessidades identificadas.
Com cerca de 220 milhões de assinantes pagos em todo o mundo, o Spotify avalia que recursos interativos sustentados por inteligência artificial podem aumentar o tempo médio de escuta e reduzir a taxa de cancelamento. A empresa reforçou que todos os dados utilizados no processo de recomendação seguem as políticas de privacidade vigentes, sem partilha com terceiros.





