Starship cumpre décima missão de teste e completa voo sem falhas

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SpaceX realizou nesta terça-feira (26) o décimo ensaio integrado do Starship e, pela primeira vez, atingiu todos os objetivos previstos para o foguete de nova geração.

Lançamento na hora certa após duas tentativas abortadas

A decolagem aconteceu às 20h30, na abertura da janela de lançamento, depois de interrupções no domingo (24) e na segunda-feira (25). O primeiro cancelamento ocorreu por um vazamento numa mangueira de propelente; o segundo, por condições meteorológicas desfavoráveis. Superados os contratempos, o veículo deixou a plataforma com os 33 motores Raptor do primeiro estágio, designado Super Heavy. Durante a subida, um desses motores falhou, mas o sistema compensou a avaria conforme projetado.

A fase inicial terminou com o retorno controlado do estágio propulsor ao Golfo do México. A manobra incluiu um experimento intencional: um motor central foi desligado, sendo substituído automaticamente por outro da linha intermediária para validar redundâncias no pouso.

Segundo estágio alcança “quase órbita” e libera maquetes de satélite

Separado o primeiro estágio, o veículo principal prosseguiu até uma trajetória suborbital que cobre cerca de dois terços da circunferência terrestre. Nas três missões anteriores, falhas de atitude ou vazamento de combustível interromperam essa fase; desta vez, a nave manteve estabilidade e completou o teste de liberação de oito simuladores de satélites Starlink, passo considerado essencial para futuros lançamentos comerciais, quando 60 unidades deverão viajar por vez.

Para limitar a produção de lixo espacial em caso de pane, a SpaceX opta por trajetórias suborbitais nos ensaios. Mesmo assim, 37 minutos após a decolagem, o motor do segundo estágio foi reacendido brevemente, validando a capacidade de retomada de propulsão que será necessária em voos orbitais completos.

Escudo térmico aprovado em reentrada sobre o Índico

A reentrada começou cerca de 45 minutos após o lançamento, permitindo testar diversas configurações de telhas cerâmicas usadas no escudo térmico. Os engenheiros instalaram materiais com formatos e espaçamentos diferentes, incluindo vãos propositais, para verificar a dissipação de calor. O conjunto resistiu o suficiente para um pouso suave no oceano Índico, etapa que encerrou o ensaio.

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Imagem: Internet

Nenhum dos estágios será recuperado, porém o resultado marcou a primeira missão integrada da versão 2 do Starship sem incidentes significativos, encerrando uma sequência de três voos malsucedidos e uma explosão em solo registada em junho.

Próximos passos do programa

Com o êxito, a SpaceX planeia mais um lançamento da versão atual ainda este ano, seguido do início dos ensaios com a versão 3, que promete dimensões ligeiramente superiores e motores Raptor atualizados. A empresa também pretende demonstrar a recuperação do segundo estágio na plataforma, repetindo o feito já alcançado três vezes com o primeiro estágio.

Para 2025, o objetivo declarado é testar o reabastecimento em órbita, requisito crucial para missões lunares e interplanetárias. A agência espacial norte-americana espera usar o Starship no programa Artemis, que projeta uma alunissagem tripulada em 2027. Antes disso, a SpaceX terá de validar um pouso lunar não tripulado, além de cumprir ciclos de voo, recuperação e reutilização que garantam confiabilidade ao maior foguete do mundo.

Apesar dos avanços, engenheiros e observadores reconhecem que desafios significativos permanecem, especialmente na proteção térmica para reutilização rápida, na complexa manobra de reabastecimento em microgravidade e na certificação para transportar seres humanos. Com o décimo voo bem-sucedido, contudo, o desenvolvimento volta a ganhar ritmo e fornece dados valiosos para as próximas fases do cronograma.

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